Sim, somos espionados. Por que a surpresa?
Confesso que estou dando risadas com a repercussão da reportagem do Fantástico. Se você ainda não leu, dê uma olhada aqui:
Já faz muitos anos que defendemos a utilização de Software Livre não apenas por ser de graça, mas por ser estratégico para a soberania nacional. No jogo político internacional somos reféns das empresas americanas, que obviamente seguem as normas do governo de lá, e por isso somos espionados. Já relatei para algumas pessoas próximas um caso de espionagem internacional que presenciei. Sabe o que fizeram? Deram risada. “Lá vem aquele maluco chato de novo.”
A primeira pessoa a levar a questão a sério foi o antigo Secretário da SLTI, Rogério Santanna, que caiu porque bateu de frente com as teles. Não quis ceder às exigências deles, que envolviam desde a proibição da utilização de ativos de rede americanos (comprovadamente e oficialmente grampeados) até a discussão sobre o fluxo dos dados no Brasil, que já comentei inúmeras vezes. A sensação que todos temos é de que a Dilma nunca deu muita bola para essa questão de Software Livre.
Pois bem, a quem interessar possa: o notebook dela é Windows. Veja o que aconteceu no Google porque seus diretores usavam Windows: foram atacados e invadidos, única vez que isso aconteceu até hoje. O celular dela provavelmente usa Android, que pertence ao Google. Será que ela lê e-mails no celular? Provavelmente sim, e a NSA também.
Só existe uma saída: radicalização das políticas públicas de soberania nacional. Posso resumir em pequenos pontos:
- Proibir a utilização de ativos de rede fabricados nos Estados Unidos em todas as redes do Governo;
- Aprovação imediata do Marco Civil da Internet;
- Retomada da infra-estrutura de comunicação primárias, ou grandes backbones, que estão na mão do mexicano Carlos Slim;
- Chamar o Rogério Santanna de volta para a Telebras IMEDIATAMENTE;
- Proibir a utilização de software proprietário pertencente a empresas americanas no Governo;
- Exigir que as empresas estrangeiras mantenham no Brasil os dados dos brasileiros.
Radical demais? Sim. Provavelmente nenhuma dessas medidas será adotada, mas é o que deveria ser feito. Contudo, nem mesmo se eu fosse presidente acho que seria capaz de adotar todas essas medidas.
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