Vaias, correção e plateia

Mais uma vez estive no estádio Mané Garrincha. Desta vez na abertura da Copa das Confederações, e os presidentes Dilma Rouseff (Brasil) e Joseph Blatter (FIFA), receberam muitas vaias no estádio. Justo ou não, aconteceria contra qualquer político que se apresentasse em seus lugares. Mas para mim foi lindo está presente no estádio e ver e ouvir a vaia para o Blatter. E ainda ele quis dá uma de mestre de cerimônia pedindo “Fair Play” e recebeu mais vaias.

Em 2007 Lula foi vaiado no Pan-americano, se o Fernando Henrique tivesse no Pan-americano seria vaiado? Com certeza! A vaia não foi exatamente para a Dilma, seria para qualquer outro político envolvido nessa gastança de dinheiro público em estádios de futebol para a Copa do Mundo e para a Copa das Confederações, que acontece agora. Para mim a vaia para a Dilma é justa e seria justa para qualquer um que entrou nessa farra de Blatter e Cia. de gastar dinheiro com estádio público. Se tem interesse político é outra questão, mas parece que o brasileiro de certa forma começou a se indignar, demorou, mas começou a perceber.

A vaia foi para tudo e para todos, mas foi na figura da presidente da República. Foram as vaias contra os 40 Ministérios, foram as vaias para essa indefinição de alianças que as pessoas não entendem, foram as vaias para aquelas pessoas que se sentem traídas quando votam numa ideia e veem inimigos da ideia acabar adotando a mesma ideia por oportunismo. O estádio Mané Garrincha é magnífico, mas personifica maravilhosamente bem a homenagem ao excesso, é uma homenagem à obra faraônica. Porque aqui em Brasília dificilmente se achará um solução para fazer dele aquilo que ele deveria ser, um lugar frequentado.

Eu disse que o estádio é magnífico, mas alguns pontos devem ser aprimorados no estádio Mané Garrincha. O gramado não é bom, mais uma vez a telefonia não funcionou, fila nos bares… Nesse aspecto, se é um evento-teste é hora de errar para corrigir, mas o que tem para corrigir é uma grandeza. Mas mais uma vez eu digo, o estádio é belíssimo, tanto por fora, quanto por dentro, até mais fora do que por dentro, mas é muito bonito por dentro também. Falta muita coisa dentro do estádio. Por exemplo, a foto a seguir:

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E para finalizar, quero falar sobre o comportamento da torcida durante o jogo do Brasil. O que dita o comportamento do torcedor? É a atuação do time em campo. O torcedor não é espectador. Torcedor torce, é óbvio. Ele ajuda, ele apoia, se o jogo não está bom, ele grita, ele vai tentar incentivar e se o jogo terminar mal ele vaia, reclama e volta para casa revoltado. Mas esse pessoal que vai a jogos esporádicos não sabe muito bem como se comportar.

Assisti grande parte do primeiro tempo do lado de três moças. Era uma coisa absolutamente diferente do que eu conheço como torcedor, parecia que elas estavam em uma balada. A única coisa que elas não faziam era assistir ao jogo, mas estavam maravilhadas com o que estavam vendo (não o jogo). Eram muitas fotos sendo postadas nas redes sociais, não que eu estava bisbilhotando a conversa e as atitudes delas, é que era impossível não ouvir e reparar. Elas são de alguma maneira as representantes da transformação da torcida em plateia. Acho que o risco da torcida brasileira vaiar a Seleção nessa Copa das Confederações é mínimo.

A sensação que eu tenho é que a torcida que está indo ao estádio, pagando caro, pensa que está indo para uma balada e se ela vaiar no começo do jogo a “balada” vai ficar ruim e vai atrapalhar o time mais do que ajudar.

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