Uma reflexão: E quando o Neymar voltar?

Foto: Andre Borges / Agência Brasília

Mais um final de semana no Mané Garrincha. Depois do primeiro evento-teste, o mais novo estádio de Brasília recebeu o segundo evento-teste. Entre erros e acertos, o novo Mané Garrincha sobreviveu a mais um teste. O estádio recebeu 63.501 pessoas para o empate de 0 a 0 entre Peixe e Flamengo, pela primeira rodada do Brasileirão. O principal evento-teste para o torneio da FIFA, que acabou marcando ainda a despedida de Neymar, mais uma vez foi merecedor de elogios. A segurança, a beleza e a estrutura geral do estádio de R$ 1,2 bilhão me agradaram mais uma vez. Mas é consenso de que algumas coisas ainda precisam melhorar nos próximos dias para que o estádio esteja pronto para receber a abertura da Copa das Confederações, no dia 15 de junho. O fato de ainda estar inacabado, filas gigantescas, bares fechados não assustam. É coisa que um ajuste aqui e outro ali resolvem. A verdade é que o Mané Garrincha está espetacular, mas vamos cair um pouco na real…

Muitos tem se perguntado: O que será do Peixe agora com a saída do Neymar?  Mas a pergunta que eu tenho feito é: O que será que vai acontecer quando o Neymar voltar, daqui uns 10 anos? Ele vai jogar em Brasília de novo? Vai ter sentido ele vir a Brasília de novo? Se ele jogar de novo em Brasília a renda vai ficar com quem tem que ficar? Quando o Neymar voltar ele vai jogar estadual, vai ter estadual ainda? Quando o Neymar voltar vai ter liga de clubes? Quando o Neymar voltar, provavelmente o melhor jogador do Brasil ou quem sabe do mundo, será convocado pelo então técnico da Seleção Brasileira?

O que a gente tem plantado para os nossos próximos 10 anos, quando o Neymar voltar? Apenas os nossos estádios? De que maneira você que vive em Brasília, por exemplo, vai olhar para o Mané Garrincha? Apenas a lembrança longínqua da Copa do Mundo que teve aqui durante exato um mês, lá em 2014? O Mané Garrincha vai ter algum sentido para você?

Na África do Sul, sede da última Copa do Mundo, o estádio da Cidade do Cabo poderá ser implodido. O estádio Soccer City está sendo usado para casamento. E aí daqui a 10 anos, o torcedor de Cuiabá, se o estádio ainda estiver lá, olhará para o estádio e se perguntará: “Para que fizemos isso?”. O mesmo vale para o torcedor de Manaus, o de Natal, o do Recife, o de Brasília… Porque não vai ter Peixe X Flamengo toda semana, não vai ter Beyoncé toda semana, não vai ter Rolling Stones toda semana. Quem estará aqui será a Ivete Sangalo, mas uma vez por ano. Temo muito pelo que acontecerá em 2023, temo que o Neymar volte, olhe e diga: “Poxa vida, mas não mudou nada. Vou ter que jogar lá em Mogim Mirim de novo? Naquele gramado?”.

Não bastasse o Engenhão com seis anos de uso interditado, na Fonte Nova, em Salvador, já caiu parte da cobertura por causa de uma chuva forte. Alguém pode está lendo este post e lembrar que em Frankfurt também se deu a mesma coisa quando o Brasil jogou lá na final da Copa das Confederações de 2005 com a Argentina. De fato a água acumulou, virou uma cachoeira, mas a cobertura não caiu. Imagine se cai durante a Copa das Confederações? Na Fonte Nova vão ter três jogos lá, inclusive Brasil X Itália. No Brasil se usa muito o modo de produção “Sérgio Naya”: superfaturamento e atraso que se compensa com material vagabundo para acabarem logo as obras.

E a CBF abriu o Campeonato Brasileiro de maneira ofuscante, pegando o jogo mais interessante da rodada, entre os campeões estaduais Curintias e Bostafogo, e colocando em um sábado às 21 horas. Não é à toa que o presidente da CBF, José Maria Marin, foi à Londres assistir a final da Liga dos Campeões da UEFA, em Wembley, e não estava aqui para abrir o Campeonato.

Voltando ao jogo entre Peixe e Flamengo, a renda da partida foi de quase R$ 7 milhões, a maior arrecadação do futebol brasileiro. Desse dinheiro, o Peixe recebeu R$ 800 mil; a Federação Paulista de Futebol, R$ 200 mil; e o Flamengo, que tinha a maior torcida no estádio, não ganhou nada. E o GDF faturou… R$ 4 mil. Sim, R$ 4 mil! Vamos refletir juntos, porque a coisa é séria. O novo Mané Garrincha custou R$ 1,2 bilhão, e quando funciona só arrecada R$ 4 mil? Será que nós somos tão otários assim? Alguém ficou R$ 6 milhões mais rico no último domingo. E esse alguém é, de longa data, íntimo de Ricardo Teixeira, Sr. Wagner Abrahão.

Os governantes brasileiros, não importa a que partido pertença, nos cobram impostos gigantescos e em troca nos negam saúde, educação, etc. e nos submetem a um trânsito caótico e a um transporte público de última categoria. Constroem o estádio mais caro da Copa do Mundo de 2014 e depois entregam NOSSO estádio a um empresário por apenas R$ 4 mil? Por que não deu logo de graça? O Ministério Público tem que investigar esse acontecimento logo!

E no jogo de domingo, Neymar caiu aos prantos durante a execução do Hino Nacional Brasileiro na voz de Ellen Oléria. Mas porque a razão choro? Porque não suporta mais a Ellen Oléria? Porque o Brasil é a 7ª economia do mundo e a Espanha é a 15ª? Ou porque o Brasil não é capaz de ter clubes com a força do Barcelona?

Mas porque o Brasil não é capaz? Porque os nossos clubes até hoje não se deram conta que uma das coisas que distinguem o futebol de 1º mundo do nosso é o fato que eles têm ligas de clubes, aqui não. Aqui existe a CBF do Sr. Teixeira e Sr. Marin que só pensam em Copa do Mundo e na Seleção Brasileira, os clubes que se danem. E continuam se danando.

O esporte não é só entretenimento, é também formação de cultura de um povo. E criticar a Copa do Mundo não é deixar de ser brasileiro. Não exaltar a “pátria de chuteiras” não é deixar de ser brasileiro. Talvez em alguns momentos seja até mais…

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