Aproveitando a base do Flamengo

flamengo_copinha_2011

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O aproveitamento dos jogadores da base do Flamengo tem sido assunto de constantes frustrações, dúvidas e questionamentos. Fica sempre a impressão de que algo de diferente poderia ser feito. A utilização da geração campeã da Copinha de 1990 durante o Campeonato Brasileiro de 1992, no qual o Flamengo se sagrou campeão, oferece um interessante paradigma que pode ser repetido no Campeonato Brasileiro de 2013, desde que tomados alguns cuidados. Muitos jogadores daquele time foram utilizados na reserva e apenas três foram titulares até o final do campeonato: Júnior Baiano, Piá e Nélio. E desses três, apenas Júnior Baiano teve uma carreira vencedora, com vários títulos importantes nos cenários nacional e internacional, tendo inclusive disputado uma Copa do Mundo, como titular. Isso significa que os outros dois foram jogadores úteis durante a campanha, mas nem por isso tiveram carreiras de destaque, algo que pode perfeitamente ocorrer no time desse ano. Nélio ainda jogou muito tempo no Flamengo, assim como Marquinhos e Fabinho, que durante os anos seguintes compuseram o elenco, ora como titulares, ora como reservas, até se transferirem pra outros clubes. Os três acabaram se tornando jogadores de bom nível, mas longe de se sagrarem craques ou mesmo jogadores de grande destaque.

Alguns jogadores que não foram titulares naquela campanha saíram mais cedo e brilharam em outros clubes deixando a certeza que faltou algo no Flamengo para que pudessem ter mostrado esse futebol com a camisa rubro-negra. São os casos de Djalminha, Marcelinho Carioca e Paulo Nunes. Os três tiveram carreiras importantes, conquistaram títulos e ao menos os dois primeiros tinham nível técnico mais do que suficiente para vestir a camisa da Seleção Brasileira. Tudo isso poderia ter ocorrido dentro do Flamengo. Deixando de lado os dirigentes da época e sua mentalidade que não mais predomina na Gávea, é interessante comparar a situação dos atletas da Copinha de 1990 com os da Copinha de 2011.

No Brasileiro de 1992 disputaram Djalminha: (21 anos), Fabinho (22 anos), Júnior Baiano (22 anos), Luis Antonio (22 anos), Marcelinho Carioca (21 anos), Marquinhos (21 anos), Nélio (21 anos) e Paulo Nunes (20 anos). A média de idade, como vocês podem ver, era de 21 anos, tendo uma exceção para mais, outra para menos. Já no caso do elenco atual, tudo indica que disputarão o Brasileiro 2013: Adryan (19 anos), Frauches (21 anos), Igor Sartori (19 anos), Lorran (19 anos), Luiz Antonio (22 anos), Lucas (21 anos), Rafinha (20 anos), Recife (19 anos), Rodolfo (20 anos), Thomás (20 anos) e Vitor Hugo (19 anos), sendo oportuno destacar que Gabriel, recém-contratado ao Bahia, já tem 23 anos. E dentre os recém negociados, Mattheus 19 anos, Muralha 20 anos e Negueba 21 anos.

A “Lei Pelé” e a consolidação da figura do empresário de atleta profissional de futebol faz com que jogadores ainda em formação, na base, com pouca idade, já tenham contratos semelhantes aos de um atleta profissional e adulto. Creio ser proibitivo fazer julgamentos definitivos, para o bem ou para o mal, sendo o mais claro deles o de Adryan, que disputará a maior parte do campeonato com 19 anos. Em todos os outros casos é recomendável muita atenção nas avaliações, dado o histórico de dispensas e negociações infelizes com a geração da Copinha de 1990. Como Djalminha e Marcelinho Carioca que já eram titulares quando foram negociados. Paulo Nunes atravessava péssima fase, dava impressão que não resultaria em anda, e foi vencedor, decisivo e importantíssimo para Grêmio e Palmeiras após sair do Flamengo. O assédio que sofrem de outros clubes e de empresários é difícil, mas acho que a Diretoria atual está agindo bem ao manter no elenco os jovens e ter paciência para aguardar o término de suas formações.

No time de 1992 tinha jogadores experientes e em sua maioria vencedores no elenco, que foram importantes referências e a base para o time titular. Foram os casos de Gilmar, Charles Guerreiro, Wilson Gottardo, Uidemar, Zinho, Gaúcho e o eterno Maestro Júnior. Daí a importância que terão as contratações a serem feitas esse ano pela Diretoria. Então, torcida rubro-negra tenhamos paciência e esperança com essa geração.

Saudações rubro-negras!

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One Response to Aproveitando a base do Flamengo

  1. Profile photo of Eduardo Santos
    Eduardo Santos 30 de abril de 2013 at 10:01 #

    Marquitos,

    Adorei o texto, pois esse time é o Flamengo que tenho em meu coração. Foi nessa época que comecei a acompanhar futebol com mais emoção, e todos os jogadores estão no meu imaginário até hoje. os jogos contra o São Paulo em 1993 são inesquecíveis, mesmo o Flamengo tendo perdido nos pênaltis.

    A geração que foi campeã brasileira de 1992 tinha dois ingredientes fundamentais: primeiro a presença do grande, enorme, Júnior. Aquele era um ídolo capaz de organizar a cabeça e as ações daquela molecada em campo. Tinha ainda um outro conjunto de jogadores fracos tecnicamente, como Uidemar e Charles Guerreiro, mas que forneciam a raça que o time precisava.

    Infelizmente não vimos mais isso. Paulo Nunes estourou mesmo um pouco depois, se não me engano em 1995 ou 1994, num ataque que o grande Januário de Oliveira chamava de arrastão: Sávio, Paulo Nunes e Magno. Esse time meteu cinco no Corinthians em um grande jogo, que nunca me esqueço porque ouvi no rádio e vi o VT depois. Contudo, como eram jovens e não tinha uma referência no time, acabaram oscilando demais, e a pressa que sempre existe no Flamengo queimou o Magno e o Paulo Nunes.

    Infelizmente vejo o mesmo risco na geração de hoje. O time não tem uma referência que possa assumir a responsabilidade se as coisas não forem bem, e a torcida (impaciente como sempre) vai começar a vaiar os garotos. Espero que eu esteja errado e eles tenham tempo para dar alegria ao Flamengo.

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