Revoltas da Copa em rede

Anonymous

Comecemos logo pelo mais importante: se você veio até aqui para dizer que as revoltas da Copa no Brasil são contra PT, PMDB, PSDB, Alckmin, Dilma ou qualquer outro partido, sinto lhe informar que você está enganado. Se pretende me xingar por ser deste ou daquele partido, dê uma olhada aqui antes e veja em quem eu votei. Dentre tudo o que está acontecendo hoje o que mais me incomoda são as análises superficiais e frias, chamando os manifestantes de baderneiros ou dizendo que são apenas “massa de manobra”.

Para te ajudar a entender o que quero dizer, deixe-me lhe fazer uma pergunta: você está feliz? Sim, sei que a vida vai bem porque somos otimistas por natureza, mas você está contente com os rumos do seu país? Você está gostando de não ter conseguido comprar ingresso pra um jogo na Copa? Ou se conseguiu, ficou feliz com o que encontrou lá? Aliás, você está feliz pelo simples fato de estar acontecendo uma Copa do jeito que está acontecendo no Brasil? Se refletir sobre essa questão vai perceber que você (assim como eu) poderia estar em uma das grandes manifestações que estão ocorrendo no Brasil.

Você acha que se trata deu uma questão isolada? Então eu vou trazer aqui um post que fiz em 2011, quando eu dizia que tudo o que aconteceu no Egito JAMAIS aconteceria no Brasil. Ao que tudo indica, eu estava redondamente enganado, e estou muito feliz de que tenha sido assim.

Quem estuda história sabe que as grandes revoluções não foram planejadas por seus mentores. Não me refiro a golpes de Estado, esses sim frutos de uma orquestração mais complexa, mas sim a coisas realmente grandes como as Revoluções Francesa e Comunista. Sempre há um estopim, ou aquilo que foi a gota d’água para as pessoas se mexerem, mas o fato é que já havia um sentimento de insatisfação crescente em toda a população. Quando o fato aconteceu, tudo o que tinham por dentro veio à tona, e o povo saiu à rua para decaptar seus líderes. No caso da Revolução Francesa, até mesmo o líder da revolta foi decaptado um pouco depois.

O que acontece no Brasil hoje começou no Egito, expandiu-se no Oriente Médio causando a Primavera Árabe, passou pelos Estados Unidos com o movimento Occupy Wall Street, teve um momento importante na Espanha com o Movimento 15-M, que ainda está vivo, e certamente ainda terá desdobramentos em outros locais.

O que mudou em cada um desses países foi o desdobramento. Alguns dirão que nada mudou de fato, e talvez estejam certos, mas não podemos dizer que eles foram irrelevantes. Somente em muitos anos seremos capazes de olhar para o mundo e compreender tudo o que nos cerca no momento.

No Brasil, é óbvio que tudo acontece por causa da Copa. Acredito mesmo que tenha muita gente revoltada com a construção dos estádios, remoção das arbitrária das das famílias para as “obras da Copa”, falta de investimento em educação e estádios milionários, enfim, por tudo isso. Deve ser o tal “estopim” que faltava para que tudo pudesse acontecer.

O maior símbolo para mim é a SONORA VAIA que recebeu o Presidente da FIFA, senhor Sepp Blatter, na cerimônia de abertura da Copa das Confederações. Como a Dilma tava ao lado, alguns tentaram interpretar como uma crítica ao PT, e acabaram perdendo o ponto central de tudo o que está acontecendo. QUALQUER AUTORIDADE ALI SERIA VAIADA. Até a mãe de alguém que subisse ali ia levar vaia.

Ricardo Teixeira, o antigo Presidente da CBF, em entrevista à Revista Piauí disse que estava “cagando de montão” para as críticas à sua pessoa, porque só se preocuparia se o dia em que saísse alguma coisa sobre ele no Jornal Nacional. E talvez ele estivesse certo há alguns anos, mas agora ele está simplesmente errado. Todos os que estão acostumados com as ferramentas de comunicação do século passado não conseguiram enxergar a importância que o ciberativismo poderia ter para uma população com mais acesso à Internet. E não viram a revolução chegando.

Para finalizar, gostaria de deixar dois recados aos que chamam os manifestantes de baderneiros: não é possível construir sem desconstruir antes. Vejam as imagens abaixo e reflitam.

Muro de Berlim
Queda da Bastillha

P.S.: Para o texto não ficar enorme vou apenas largar esse link solto: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed749_eric_schmidt_e_o_exercicio_furado_de_futurologia

Divirta-se. 🙂

Desdobramentos do caso FBI x Megapuload

Aviso de fechamento do Megapuload

Para quem não se lembra, o Megaupload foi fechado pelo Governo dos Estados Unidos há algum tempo, sob a alegação de ser uma fonte de pirataria. Houve muita controvérsia sobre o caso, uma vez que o serviço fica na Nova Zelândia e o FBI invadiu a casa do Kim Dotcom, fundador do site, para confiscar os servidores, computadores, enfim, tudo o que estivesse relacionado ao caso. ele chegou inclusive a ser preso por causa do site.

Se você não entende como os Estados Unidos podem fazer isso, já escrevi sobre quem realmente manda na Internet. Se tentarem acessar o antigo megaupload.com vão perceber que o DNS já nem responde mais, por decisão única e exclusiva do Governo dos EUA.

Pois bem, hoje de manhã chega a notícia pelo twitter de que o caso teve desdobramentos, em um tweet do próprio Kim Dotcom.

Ao que parece, o FBI levou mais do que apenas os computadores relacionados ao caso: invadiram a casa do cara com armas na mão e saíram levando tudo o que encontraram pela frente. A atitude foi considerada ilegal e a Justiça Americana mandou que o FBI devolvesse tudo o que não estivesse 100% relacionado ao caso.

Claro que ainda tem muita coisa para acontecer e novos desdobramentos ocorrerão, mas é interessante perceber como uma operação ilegal foi deflagrada e ninguém foi responsabilizado pelo caso. A próxima pergunta a ser feita é: o que acontece com os arquivos das pessoas que estavam armazenados lá e o FBI mandou o provedor apagar? Lá não tinha só pirataria: muita gente (inclusive eu ) utilizava o serviço para guardar arquivos pessoais na nuvem. Um grupo de usuários já preparou um processo contra o FBI por conta disso. O que vai acontecer? Só o tempo dirá.

Aviso de fechamento do Megapuload

Neymar saiu e a Globo não viu

Instagram do Neymar

Se você mora em Marte e ainda não sabe, vou te avisar: o jogador Neymar Júnior do Santos Futebol Clube foi oficialmente negociado para o Barcelona. Não, não quero entrar na lista do Gian Oddi com o melhor do twitter sobre a sua saída. Estou aqui apenas para registrar o anúncio oficial:

Instagram do Neymar
Foto: Reprodução Instagram

Você estava esperando a capa do jornal, não é mesmo? Pode falar a verdade, eu sei que estava. É assim que as coisas aconteciam antigamente. Sim, antigamente, porque hoje em dia não acontecem mais.

Naquela época, há quase uma vida atrás, o Barcelona marcaria uma entrevista coletiva para agradecer a escolha e apresentar o craque, não é mesmo? Talvez até apertassem as mãos em portas fechadas para divulgar o acordo, que provavelmente haverá. Então, qual seria a forma mais correta de “agradecer” pela escolha?

Conversa no twitter com Neymar
Foto: Reprodução twitter

Havia não sei quantos repórteres de todas as partes do mundo, milhares de pessoas tentando subornar fontes, enfim, todo o aparato da mídia tradicional estava montado com o principal objetivo de ser o primeiro a dar a notícia. O famoso furo de reportagem, o sonho de todo jornalista. Com o que aconteceu no caso Neymar, sabe quem deu a notícia? Ele mesmo, através do Instragram. Se não acredita em mim vai lá ver: http://instagram.com/p/ZwXvcIxtnX/

O assunto é relevante porque as grandes corporações de mídia estão tentando desviar o foco da mudança. Na maneira pela qual o Mercado se acomodou, a Internet é apenas mais um meio de comunicação a ser explorado pelas empresas, que oferecem a audiência na grande rede como parte do seu mídia kit. Ou seja: eles prometem anunciar na Tv, rádio, Internet, etc. Não à toa os maiores portais do país hoje são dos grandes conglomerados de comunicação: UOL pertence à Folha de São Paulo, Globo.com pertence à ela mesma, IG pertencia de maneira indireta à Brasil Telecom, e por aí vai. Que eles são grandes eu não tenho dúvida, mas já se perguntaram se a audiência deles é maior mesmo?

Todo o mundo já ouviu falar do tal Ibope, o instituto de pesquisa que é o terror dos apresentadores de televisão. O negócio deles funciona mais ou menos assim: as empresas de publicidade precisam ter estatísticas sobre o alcance de seus programas, então o que elas fazem? Contratam o Ibope para medir a audiência dos programas de televisão. Assim, quem tiver maior audiência vai receber mais publicidade para atingir mais público e por aí vai. Adivinha quem mede também a “audiência” na Internet? Claro, o nosso amigo Ibope, que adota um nome mais estiloso para a Internet: Ibope/NetRatings.

Vamos ver então: se eu sou TV e quero que meu programa dê audiência eu preciso alavancar o Ibope. Agora reflitam sobre o que sai mais barato: construir um programa bom, atrair público, atrair audiência, ou simplesmente aumentar o Ibope? Fica a dúvida, mas falamos sobre isso em outra oportunidade.

Suponhamos que os números do Ibope sejam confiáveis e você, como empresário, queira anunciar, digamos, na Rede Record. Quanto isso ia custar pra você e quantas pessoas você iria atingir, sem envolver segmentação para facilitar a conta? Segundo o site da própria Rede Record, 15 segundos no Balanço Geral custariam R$ 2.910,75 e atingiria algo em torno de 9 pontos na “escala” Ibope segundo a própria Record. Um bom número para o horário. 9 pontos pela metodologia seria algo em torno de 9% da população com TV assistindo o programa, ou seja, umas 200.000 pessoas em Brasília.

Bom, agora vejamos outros números interessantes. Você conhece o Estilo Candango? Não? Então divirta-se:

Esse cara, com um vídeo feito no seu quarto, atingiu até hoje quase 600.000 pessoas. Você pode argumentar que o vídeo foi feito há 2 anos, mas qual foi o custo que esse vídeo teve?

No dia de hoje especialmente estamos lidando com uma certa “carência” da grande mídia, pois o Neymar não deu a notícia exclusiva para o Jornal Nacional, como chegou a especular o jornalista Juca Kfouri. Ele simplesmente o fez pela Instragram, canal esse que é muito mais familiar à ele. Aí entra a questão importante: teoricamente o objetivo do anúncio é conseguir chegar ao público. As empresas mantém assessorias de imprensa para garantir que a informação da empresa chegue aos jornalistas e os mesmos a transmitam ao público da maneira que lhes parece a mais correta. Neymar acaba de provar que, se isso ainda não é desnecessário, pode se tornar em um período muito curto.

O único entrave para que isso aconteça é o acesso à tecnologia. Afinal, quantas pessoas podem ler algo publicado no Instragram, ou seguir o twitter do Neymar? Em Brasília, 71,7% das pessoas já navegam na Internet. Isso significa que a Internet já está acessível para quase todo o mundo, e não dá mais pra dizer que trata-se de algo restrito. A tendência é que o número cresça para algo próximo de 100%, assim como a televisão. A Petrobras talvez tenha sido a primeira grande empresa a perceber que, para enviar a mensagem a seus clientes, basta publicá-la. Não é preciso mais pagar um jornal de grande circulação e divulgar uma nota de página inteira como era feito antigamente.

Para finalizar, deixo uma pergunta: será que precisamos mesmo de jornal e televisão? Afinal, a melhor cobertura oficial é aquela feita por você mesmo, como bem nos ensinou a posse do Papa Francisco.

Comparação entre posses dos Papas
Foto: reprodução NBC

Será que alguma dessas pessoas em 2013 comprou o jornal no outro dia para ver a foto da posse? Eu acho que não.

O Vale do Silício do Cerrado?

Maquete da Cidade Digital

São quase 02h00 da manhã e estou conectado, junto com uma grande quantidade de meus companheiro de profissão. Após terminar uma das várias tarefas organizadas para o dia, é o momento de me dedicar um pouco ao meu hobby. Ou seria também um trabalho? Para o empreendedor de tecnologia, tudo é trabalho.

Não sei se todos sabem, mas fui durante um longo período de tempo estudante do curso de Física da UnB. Na verdade, me considero praticamente um Físico, já que faltavam apenas quatro matérias para eu me formar quando desisti do curso (ou ele desistiu de mim). Durante o processo de aprendizagem para me tornar professor, o referencial muito bem apresentado por alguns dos meus (bons) professores era o programa norte-americano para formar físicos, popularmente conhecido como PSSC.

O interesse americano era direto: estavam com medo de perder a corrida espacial para os russos, depois que eles conseguiram realizar o primeiro voo espacial tripulado, comandado pelo hoje famoso cosmonauta russo Yuti Gagarin. Qual a forma então de vencer os russos? Precisavam formar mais físicos, e rápido. Assim, desenvolveram um programa de ensino que começava ainda na educação básica, passando pela especialização em Matemática e Física ainda no High School e culminando numa colossal (bem ao estilo americano) injeção de recursos nas principais universidades e centros de pesquisa do país. O programa teve início em 1956 e o resultado veio poucos anos depois, como todos já sabemos.

Voltando um pouco no tempo, podemos ver um esforço similar acontecendo no mesmo país à época da Segunda Guerra Mundial para construir a bomba atômica antes dos inimigos. O Projeto Manhattan já foi apresentado em todas as mídias possíveis e imagináveis, e seu resultado também já conhecemos.

O que essas histórias têm em comum é a forma pela qual as coisas são construídas na cultura capitalista americana. Uma que até hoje traz consequências para todos nós é a criação do Vale do Silício, origem de tudo o que consumimos em termos de tecnologia no mundo. Tudo começa com uma grande ideia, como sempre. Um dos pesquisadores do laboratório Bell, William Shockley, tinha participado do projeto de criação do que ele acreditava ser uma tecnologia potencialmente transformadora (e realmente era): o transistor. Depois de ajudar o laboratório na criação, ao perceber o valor do que tinha em mãos, Shockley decide sair da empresa e criar sua própria para continuar desenvolvendo a tecnologia, escolhendo como sede um pequeno conjunto de casas na região de Mountain View, Califórnia.

Ele ainda não tinha um modelo de negócios claro, apenas sabia que queria trabalhar com semicondutores. A decisão foi a pedra fundamental para o que mais tarde seria o Vale, principalmente porque muitos outros pesquisadores e mentes brilhantes foram atraídos pela ideia. Aliás, a capacidade de atrair mentes brilhantes sempre foi considerada sua maior virtude.

A cultura de empreendedorismo e inovação vem ainda do começo do século, muito ligada à universidade de Stanford. O professor Fred Terman, presente na região desde o começo do século XX ainda quando existia uma indústria voltada para o rádio, sempre incentivava seus alunos a deixar a universidade e investir para que suas ideias se transformassem em empresas. Foi assim que surgiu a companhia Hewllet & Packard, e o modelo de colaboração entre faculdades e empresas difundido na época até hoje domina as relações no Vale. Foi Terman que ajudou a convencer Shockley a fundar sua empresa na região.

A capacidade de Shockley de atrair novos cientistas foi importante para atrair as mentes para o Vale, mas foi sua inaptidão social que deu o ponto de partida para o modelo empresarial dominante na regiãoOito cientistas, cansados do estilo ortodoxo de seu chefe, decidiram deixar a empresa e atraíram a atenção de um investidor da Costa Leste chamado Arthur Rock. Ele conseguiu um acordo que era inexistente à época: convenceu o dono da empresa Fairchild Camera and Instrument, estável e já constituída, a admitir todos os oito funcionários recém demitidos em uma nova subsidiária, a Fairchild Semiconductors. Todos receberam participação significativa na nova empresa, criando o modelo que combina capital de risco e participação dos funcionários, que hoje chamamos de startup.

Com o tempo os funcionários da nova empresa decidiram que ela não era rápida o suficiente nem grande o suficiente para as mudanças que planejavam implementar, e criaram outras empresas de semicondutores. À época o comportamento parecia absurdo, pois a cultura americana envolvia um funcionário trabalhando a vida inteira na mesma empresa. Alguém já viu isso em algum lugar? Dentre os funcionários que deixaram a Fairchild é possível citar Robert Noyce e Gordon Moore, fundadores de uma pequena empresa chamada Intel. Alguém conhece?

Contei toda essa história para mostrar os três ingredientes de fomento para a criação da região que, se fosse um país, estaria entre os dez maiores PIB’s do mundo. Maior inclusive que de todo o Brasil. São eles:

  1. Grande quantidade de mão de obra qualificada;
  2. Cultura empreendedora nos funcionários das empresas;
  3. Acesso a capital de risco.

Sabe que região possui características muito parecidas? Você pode me achar maluco e estou com preguiça de pesquisar as fontes, mas pense: em linhas gerais o Calango é bastante educado e com muito acesso a tecnologia. Se já não há tanto acesso assim a capital de risco, também não é possível dizer que ele não existe. Vou compartilhar aqui um pequeno pedaço de uma lista de investidores, que não divulgo totalmente por não saber se seu conteúdo é público. Veja e tire suas próprias conclusões: há ou não dinheiro para o investimento?

Então, onde está o nosso bilhão de dólares? O que nos falta ainda em grande escala é a cultura do empreendedorismo. Recentemente abandonei um cargo no Governo para me dedicar à iniciativa privada e recebi uma enxurrada de críticas, principalmente no seio familiar, por estar abandonando a “relativa estabilidade” do serviço público para uma vida totalmente incerta buscando negócios. Não, não há estabilidade no Mercado. Neste momento tenho um cliente cujo pagamento está há mais de dois meses atrasado, e sei que isso faz parte do processo. Contudo, como aprendi no Ciclo de Estudos da Prosperidade, o empreendedor não está preocupado em TER, mas está preocupado em SER o agente da transformação. As conquistas financeiras são consequência de um trabalho bem realizado, e não o contrário. Se conseguirmos ser úteis para a humanidade, certamente seremos recompensados por isso.

É por isso meus amigos, que os convido a romper com essa tradição de concurso público. Que tal ao invés de se preocupar com a estabilidade de uma sólida carreira no Governo começarmos a nos preocupar em construir algo de diferente para o país e para nós mesmos?

Who What How Much From/To Sector Source
2013/01 Kekanto Raised undisclosed W7 Brazil Local http://exame.abril.com.br/pme/startups/noticias/kekanto-recebe-aporte-da-w7-brazil-capital
2013/01 ContaAzul Raised undisclosed Monashees Capital, Ribbit Capital, Napkn Ventures Saas (financial) http://startups.ig.com.br/2013/conta-azul-recebe-investimento-de-monashees-500startups-ribbit-e-napkn/
2013/01 Meia Bandeirada Raised undisclosed Plug n’ Work Consumer web
2013/01 Escolher Seguro Raised undisclosed Warehouse Investimentos Consumer web
2013/01 PC sistemas Acquired BRL 95m TOTVS ERP http://fusoesaquisicoes.blogspot.com.br/2013/01/totvs-adquire-pc-sistemas-por-r-95.html
2013/01 Padtec Raised BRL 167,000,000 BNDES, IDNT networking infrastructure http://fusoesaquisicoes.blogspot.com.br/2013/01/padtec-tera-aporte-de-r-167-milhoes.html
2013/01 uMov.me Raised BRL 3,200,000 TOTVS Mobile http://fusoesaquisicoes.blogspot.com.br/2013/01/totvs-investira-ate-r-32-milhoes-na.html
2013/01 Crowd.Mobi raised funds from BRL 300,000 João Kepler Braga Mobile http://crowdmobi.com.br/
2013/01 Widbook Raised undisclosed W7 Brazil Capital Consumer web http://startups.ig.com.br/2013/rede-social-de-publicacao-literaria-widbook-recebe-investimento-da-w7-capital/

Tabela 1: Fontes de financiamento

O Fim da Trama e porque o Youtube jamais aconteceria no Brasil

Publicação no site da Trama informando o fim do serviço

O assunto de hoje é um pouco triste para aqueles que, como eu, tentam ser empreendedores em um país burocrático e pouco orgulhoso de si mesmo como o Brasil. O serviço de download de músicas Trama Virtual vai fechar as portas. É provável até que quando você estiver lendo essa notícia e clicar no link do site ele já não esteja mais funcionando. A notícia do contexto do fechamento pode ser encontrada no Gizmodo ou ainda é possível ler uma entrevista completa com João Marcelo Bôscoli, fundador da Trama e idealizador do serviço, no site da Folha.

Não quero explicar muito o que era o Trama Virtual porque nos links acima encontrarão pessoas mais qualificadas que já o fizeram com bastante competência. Contudo, como sei que tem muita gente que não quer ler o link acima, vou tentar resumir o que eles faziam. Sabe o iTunes, aquele que os fanáticos pela Apple adoram? Agora imagine serviço igual só que tudo de graça. Agora imagine um serviço que incluísse somente bandas nacionais, principalmente aquelas que não têm nenhuma gravadora, ou seja, as bandas independentes. Isso era a Trama Virtual.

Hoje posso trabalhar com exemplos pois eles existem aos montes, e a maioria surgiu nos últimos 3 ou 4 anos. Só que todos eles (todos, sem exceção) são posteriores à Trama Virtual, serviço de Internet que começou em 2002! no Brasil. Sim, o serviço já possui mais de dez anos. Agora pense: você tinha Internet em 2002? Sim, os que tinham eram poucos, e dá pra imaginar só por aí o quão à frente do seu tempo ele foi. Não é exagero dizer que ele foi revolucionário, principalmente por implementar, desde o início, um modelo de negócios que envolvia a remuneração por download da música. O sistema, vejam você, é muito parecido com o utilizado pelo Google hoje no Youtube.

A questão importante que precisamos discutir aqui é: por que ele acabou? A resposta parece simples, pois o serviço ia simplesmente parar de ser lucrativo para a Trama. Ao invés de ficar consumindo recursos da empresa, é melhor encerrar o serviço ao perceber que ele não está mais dando lucro. Não parece óbvio pra você que algo deve ser fechado ao não dar mais lucro? Pois bem, pois saibam que a maior parte dos serviços de Internet passa muito tempo, às vezes até anos, sem dar lucro. Sabe quem ficou muitos anos sem ter lucro operacional? Dois serviços pequenos que vocês provavelmente conhecem: Google e facebook. Por que então é possível a eles ficar no ar sem dar dinheiro e o Trama Virtual precisa fechar as portas?

Essa é uma discussão das mais importantes e deve ser feita com muito cuidado, pois se não resolvermos esse problema dificilmente deixaremos de ser um país subdesenvolvido. Empresas que não dão lucro só podem se manter com a utilização de capital de risco. Para quem não sabe do que se trata, tente imaginar o seguinte cenário: você trabalhou a vida inteira e conseguiu juntar uma grana, digamos uns R$ 50.000,00. Você sabe que esse dinheiro não é suficiente para se manter a vida inteira depois que se aposentar, então o que você precisa fazer? Claro, tem que dar um jeito de multiplicar esse dinheiro e garantir sua aposentadoria.

Você é apresentado então a um amigo seu que é cientista, que teve uma ideia genial para produzir uma espécie de monitor flexível, para o qual ele já tem até um protótipo funcional. Contudo, para poder ganhar dinheiro com o monitor será necessário produzi-lo em larga escala, e para fazê-lo ele vai precisar justamente dos R$ 50.000,00 que você tem. Você, esperto como é e utilizando seu faro empreendedor, decide que vai dar suas economias para o seu amigo abrir o negócio, e em troca ele vai te dar um pedaço da futura empresa, digamos 35%.

Vamos supor que a ideia dê certo. A empresa começa a produzir em larga escala, o produto vende muito e logo no final do primeiro ano vocês obtêm um faturamento de R$ 200.000,00. Nesse momento, aparece uma “pequena” empresa chamada Samsung, percebe o potencial do seu produto e diz que quer comprar um pedaço da sua empresa. Por entender o valor do negócio, ela oferece R$ 1 milhão por 35% do negócio, a mesma quantia que você possui. Se você quiser vai poder sair do negócio um ano depois os R$ 35.000,00 que você investiu se transformaram “magicamente” em R$ 1 milhão. Agora você pode começar a pensar em se aposentar com esse dinheiro, certo?

O que acontece contudo se a ideia der errado? E se o produto não der certo, a empresa fechar e você não conseguir recuperar o que investiu? Sim, você perdeu todo o seu dinheiro e ainda tem a grande chance de ter adquirido o famoso passivo, ou seja, a empresa fechou e deixou dívidas para você e para o seu sócio. Por isso o capital é chamado de risco: pode dar certo, mas se der errado o dinheiro simplesmente desaparece.

Existem vários documentários que mostram a história do Google, e as dificuldades que eles tiveram por surgir justamente na época da bolha da Internet, e sugiro que você veja a série de documentários do Discovery sobre a Internet, provavelmente a melhor referência sobre o tema. Na história eles tinham uma grande ideia para um serviço de busca, e tinham até apresentado ao orientador deles na Universidade, mas faltava o mais importante: dinheiro para construir um serviço em escala global. Para que o Google funcionasse eles precisavam fazer o download de TODA A INTERNET para um grupo de computadores. Se hoje a tarefa é difícil, imaginem como era em 2004. O que aconteceu então? Um investidor, ao entender a importância do negócio proposto, entregou para eles um cheque de US$ 500.000,00 para investir no que achassem necessário. O resto é história.

Já o facebook e sua história ficaram famosos através do filme e não compensa nem explorar muito. Se repararem no exemplo dos R$ 50.000,00 que dei anteriormente, foi mais ou menos essa quantia que Eduardo Saverín utilizou para abrir a primeira conta da empresa facebook. Hoje o jovem rapaz está no ranking da Forbes como um dos 23 jovens bilionários do mundo. Nada mal para algumas pequenas economias, não é mesmo?

Agora a pergunta que eu queria fazer desde o começo do post: sabe quando um caso desses aconteceria no Brasil? A resposta é: NUNCA! O Youtube nada mais era do que uma ideia da cabeça de alguns jovens, até ser comprado pelo Google por US$ 1,65 bilhão. Se o Brasil tivesse a mesma estrutura de capital dos EUA, a Trama Virtual poderia facilmente ser o Youtube brasileiro. Acha exagero? O serviço surgiu pelo menos 3 anos antes no Brasil, e na entrevista à folha que citei acima João Marcelo Bôscoli fala que, com a chegada do Youtube, as bandas têm um canal de comunicação com o público melhor do que o Trama Virtual, e não precisam mais do serviço. Ou seja: as bandas estão trocando o serviço nacional pelo Youtube. Por quê? por que o serviço não evoluiu e conseguiu se tornar maior.

O fato é que tudo isso envolve dinheiro, e no Brasil é impossível atingir a mesma escala que nos EUA, simplesmente porque lá circula mais dinheiro. Aí alguns me dirão: mas existem casos de empreendedores nacionais como Marco Gomes e Bel Pesce que cresceram através da utilização de capital de risco. E todos estarão certos. Vale lembrar que o marco Gomes, assim como nós, também é Calango. Não deveríamos então nos orgulhar deles e acreditar que os negócios podem dar certo no Brasil?

Infelizmente, posso afirmar que os dois deram certo muito mais apesar do Brasil do que graças a ele. A história do Marco Gomes é muito boa, e recomendo que escutem e leiam pois é um excelente exemplo, mas o fato é que o capital que a empresa dele usou para sair do papel veio de empresas internacionais. Teve zero de aporte inicial em capital nacional. Já a Bel Pesce, tive o prazer de estar em uma palestra dela, e até me incomodou um pouco em ver como sua fala, que parte do princípio que é possível realizar todos os sonhos, tem como base o sonho de sair do Brasil para poder dar certo. Sim, ela só conseguiu tudo na vida porque foi morar no Vale do Silício.

Pois eu sou brasileiro, Calango do Cerrado, e não quero ter que sair do Brasil para ter a oportunidade de dar certo. Alguns me dirão que Brasília não é pra isso, que todo mundo aqui quer ser funcionário público, e estarão certos. Contudo, acredito que a cidade tem um enorme potencial não explorado na área de informática, muitas mentes brilhantes tendo ideias o tempo todo, enfim, temos condições de fazer algo até melhor que o Vale do Silício nacional. Só nos falta uma coisa: dinheiro. Depender de instituições como FINEP para construir algo inovador é simplesmente ridículo e um verdadeiro desperdício de dinheiro público. O Governo não deve nunca, em essência, ser responsável por obter lucro através de empresas, mas sim de criar um ambiente gerador de empregos onde seja possível fazer empresas tão grandes ou até maiores que o Youtube.

Infelizmente, pelo caso da Trama vemos que o Youtube jamais seria brasileiro. Fico mais triste porque sempre considerei o modelo de negócios inovador, e até citei o caso na minha monografia. Vemos ainda, em casos como o da Bel Pesce, que para dar certo temos que sair do Brasil e buscar o dinheiro lá fora. Contudo, a boa notícia é: todos esses casos pertencem ao passado. O futuro está no computador da próxima ideia genial, que acredito poder sim sair de Brasília. Se um dia eu sair do Brasil em definitivo, é porque eu desisti. É por isso que eu continuo acreditando. E esperando…

A Guerra Começou?

As pessoas me chamam de louco, exagerado, etc, sempre que comparo guerra com ciberguerra. Pois bem, veja isso: http://tecnologia.ig.com.br/2013-03-27/maior-ataque-cibernetico-da-historia-atinge-internet-em-todo-o-mundo.html

O que aconteceu foi o seguinte: alguém gerou, no dia de ontem, o maior tráfego de Spam da história da Internet. Por quê?  Quem fez o ataque? O que está acontecendo?

Veremos mais informações surgirem nos próximos dias, e certamente escreverei por aqui. É aguardar pra ver…

Sociedade participa da construção do novo Portal do Software Público

Foto da reunião na ENAP

A Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão convidou a sociedade para participar da construção colaborativa da nova versão do Portal do Software Público. Na etapa presencial foram coletadas e classificadas as sugestões da sociedade, para mais tarde auxiliar a empresa contratada no Processo de Desenvolvimento.

Acesse o Portal e veja como foi: http://www.softwarepublico.gov.br/news-item320

Você sabe o que é DRM?

Não ao DRM

Você já deve ter ouvido falar ou lido de passagem em algum lugar sobre o termo DRM, e certamente ele fugiu à sua vista logo após lê-lo, mas será que você sabe o que significa?

A melhor explicação vem através de exemplos da vida real. Os “portadores” de Iphone se vangloriam do fato de todos os documentos de áudio e vídeo em todos os dispositivos estarem sincronizados através do maravilhoso aplicativo Itunes. Se você é Apple-fã e se identificou com o exemplo, deixe-me fazer-lhe uma pergunta: já tentou pegar alguma das músicas que você comprou baratinho pelo Itunes e passar para outro dispositivo, tipo outro celular ou um pen drive para colocar naquele novo som que você comprou? Certamente seria possível tocar o som do celular transmitindo os dados através de uma conexão bluetooth, mas por um acaso você já conseguiu parear seu dispositivo Apple com outro que não seja da mesma fabricante através do protocolo?

Um outro exemplo se você não é fanático pela marca: você já tentou baixar um vídeo do Youtube? E do Netflix, se é assinante do serviço? É possível assistir os filmes até no celular hoje em dia, mas é possível assistir o filme se estiver offline?

Para o público Nerd e jogador de videogame, o melhor exemplo é o Steam, que já falei aqui no blog. Você tem uma conta, associa jogos a ela e pode baixar onde quiser, desde que esteja conectado à conta. Outro dia minha Internet caiu e mesmo tendo o jogo instalado no dispositivo, simplesmente não conseguia jogar. O motivo informado pelo Steam era que não havia nenhum jogo salvo em minha conta, então eles não poderiam saber se era eu mesmo que estava jogando.

Poderia citar vários outros exemplos, mas a questão é sempre mesma: mesmo que você compre um filme no Itunes, ele não é necessariamente seu. A posse sobre ele só acontecerá enquanto sua conta estiver ativa na Apple, e NÃO PERMITE A TRANSFERÊNCIA ENTRE MÍDIAS. Aí está a essência do DRM, ao impedir que as pessoas transfiram produtos digitais entre as várias mídias disponíveis no mercado. A princípio pode parecer uma coisa boa. Afinal, estou sempre conectado à Internet e tenho recursos para utilizar minha conta, mas o que acontece quando a relação com o fornecedor for quebrada? O que acontece aos usuários da Apple se eles simplesmente não quiserem mais utilizar o Itunes?

O DRM utiliza a desculpa de estar implementando uma tecnologia anti-pirataria para remover a posse sobre algo que você comprou. Vejam o caso que aconteceu com o leitor de livros Kindle da Amazon: uma loja cadastrou (ironicamente) os livros de George Orwell 1984 e Revolução dos Bichos como seus e vendeu pelo incrível preço de US$ 0,99. Quando a Amazon percebeu que o preço era irreal e a empresa não tinha direitos sobre os livros, o que ela fez? Apagou os livros de todo o mundo dos dispositivos Kindle. Muita gente deve estar achando o caso bom, pois a empresa impediu que o dono dos diretos do livro fosse prejudicado. Contudo, não se trata de uma compra legal ou ilegal apenas, e sim do fato de que os livros não são realmente seus.

Já escrevi sobre o complexo emaranhado de licenças envolvendo propriedade intelectual, que enganou até mesmo artistas famosos como Roberto Carlos e Zé Ramalho. Você, usuário comum e sem conhecimento de direito, certamente não tem condições de avaliar o que pode ou não ser feito com a maior parte dos livros que tem, mas vamos tentar ilustrar com um exemplo. Suponhamos que você compre um livro técnico grande demais para carregar e que possui uma importante tabela que deve ser consultada frequentemente. O que você faz? Tira cópia e põe no bolso. Você pode fazer isso? Reflita.

Agora imaginemos o seguinte caso: alguém te vende uma cópia do livro 1984, mas que você não sabe se tratar de uma cópia pois a capa, o texto, enfim, tudo remete ao livro original. Você lê, coloca na sua estante e desconhece completamente a ilegalidade do livro. Um belo dia, alguém bate à sua porta, entra na sua casa, pega o livro sem te consultar e quando você perce ele simplesmente não está lá. Ele pode fazer isso? Reflita.

Já está claro pelos exemplos acima que você realmente não possui o que compra com DRM, certo? Você pode estar achando isso um grande problema ou ignorando completamente, mas o grande ponto de toda a discussão é que não se trata somente da posse do produto. Ian Hickson, um dos caras que está liderando a discussão pelo lado do Google, escreveu um texto em seu Google+ que traz várias reflexões interessantes. A primeira delas é que o DRM é tecnicamente impossível, pois sua definição está algoritmicamente errada. Os motivos são óbvios (tradução pessoal do inglês):

  1. DRM tenta impedir as pessoas de copiar o conteúdo enquanto permite que outras vejam o mesmo conteúdo;

  2. Não é possível esconder algo que está se tentando mostrar;

  3. Os maiores casos de pirataria (Ex.: vazamento de filmes) normalmente têm origem em fontes que não estão sujeitas ao DRM na origem. O vazamento costuma vir de alguém que tinha uma cópia sem proteção no próprio estúdio.

Se o DRM é impossível tecnicamente, por que as empresas continuam tentando? Aí vem a grande reflexão apresentada por Ian: DRM não tem a ver com pirataria. É uma vertente da batalha que as fabricantes de conteúdo estão travando com as fabricantes de reprodutores de conteúdo. Quando alguém faz um DVD e coloca propaganda lá dentro, ele espera que você assista à propaganda que ele colocou. Se você conseguir gerar uma cópia do DVD que pule a propaganda está deixando o fabricante infeliz, pois aquele espaço no começo do DVD perde valor comercial.

O duelo da Apple não é somente com os fabricantes de celulares pelos melhores serviços; em algum momento é possível que exista Itunes para Android. Contudo, quantos dos famosos MP9 chineses existem no Brasil e tocam qualquer tipo de aúdio?

A grande batalha da indústria é impedir e/ou garantir que possa controlar o meio pelo qual você acessa os seus arquivos, pois esse modelo permite o controle da distribuição como sempre existiu. Se você pode utilizar um celular para baixar música pelo mesmo preço que no Itunes e ainda pode transferir para vários outros dispositivos, por que utilizar o software da Apple?

A computação em nuvem torna tudo mais perigoso, pois quase todos os nossos arquivos estão na nuvem ou copiados nela. E se o Dropbox decidir apagar um documento que você colocou lá alegando que ele continha conteúdo que infringe a segurança nacional dos Estados Unidos da América? Sim, eles podem fazer isso.

Se você utiliza algum desses serviços que utiliza DRM, é hora de pensar qual a importância do conteúdo adquirido por aquele meio. Se você respeita a liberdade, precisa se movimentar no sentido de impedir que especificações perigosas tornem-se uma realidade na Internet. Só existe uma coisa que pode impedir tais coisas de se tornar realidade: ativismo em complemento ao ciberativismo.

Bradley Bravo Manning

Foto do soldado Bradley Manning

O soldado norte-americano Bradley Manning, acusado por ter vazado informações sobre as guerras do Iraque e Afeganistão para o site Wikileaks, confessou culpa em 11 das 22 acusações que foram imputadas a ele na corte dos EUA. Um relato completo sobre o caso pode ser encontrado aqui (em inglês): http://rt.com/usa/manning-sentence-wikileaks-assange-626/

Dada a notícia, imaginemos o contexto da acusação. À primeira vista, pode parecer errado a qualquer um que um soldado com acesso a documentos sigilosos decida simplesmente vazá-los para a imprensa. Afinal, ele trabalhava na área de inteligência do exército e não dá nem pra imaginar o tipo de material ao qual ele tinha acesso. Contudo, imagine você, possivelmente um militar ou um funcionário público, vendo alguns de seus companheiros de trabalho que pilotam um helicóptero com altíssimo poder de fogo, atirando contra civis e se divertindo com isso. O que você faria?

Quer imaginar? Então simplesmente veja esse vídeo.

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=5rXPrfnU3G0]

Eu não sou jornalista mas certamente deve ter algum que vai ler isso daqui. Aí eu pergunto: qual o valor jornalístico que um material como esse tem? Podem ver que havia um repórter da Reuters, um dos atingidos pelo helicóptero, tentando obter fotos certamente piores do que essas. A divulgação do material só foi possível por causa do Wikileaks.

Não há dúvidas de que a publicação de conteúdo e/ou notícias está passando por uma grande mudança, e o Wikileaks é parte fundamental nela. Esse portal, que tem como objetivo permitir aos usuários publicarem suas próprias notícias, poderia ser potencialmente um mini Wikileaks. Suponhamos o caso em que algum funcionário público poderoso te peça propina. O que você pode fazer? Publicar no Correio Brazilliense? Dificilmente, mas a Internet tem o poder de dar voz a todos os cidadãos.

Soma-se a tudo isso o fato de que os dados liberados por Manning tiveram uma repercussão muito grande na Internet, permitindo um verdadeiro debate sobre a situação nas redes sociais. Barack Obama soube se aproveitar muito bem de tudo o que estava acontecendo, e muitos dizem que a nova geração o elegeu por causa da rede e através dela, impulsionando sua campanha como doações. Não fosse a Grande Rede, talvez nada disso tivesse acontecido e Manning teria sido condenado do mesmo jeito.

Já falei muitas vezes sobre a desobediência civil como ferramenta de mudança, e certamente estamos vendo um caso de desobediência militar que foi, de acordo como muitos, o principal motivo para o fim nas guerras de Iraque e Afeganistão. Obviamente, toda desobediência tem um custo, e Manning quase que certamente vai pagar por ela: 20 anos de prisão somente pelas condenações nas quais ele se declarou culpado.

Assim como o Grande Aaron Swartz, Bradley Manning é um importante agente de mudanças de nossa geração. Junto com Julian Assange, fundador do Wikileaks, tornou-se o principal responsável pela reconstrução da circulação de informação privilegiada na imprensa. Nada mais de declarações em off ou troca de favores: pura e simples divulgação de informação que alguém, no caso um funcionário público militar, não poderia mais ocultar e se calar.

O mais impressionante ainda? Por causa da similar americana da Lei de Acesso Informação (LAI, para os íntimos), o próprio julgamento tem todos os seus documentos publicados. Em outros casos poderia ser montada uma mega operação de “abafa” para simplesmente “sumir” com ele ou promovê-lo para um local distante e mantê-lo calado. Deem uma olhada nesse filme e vejam do que estou falando. Com a publicação de todo o caso, simplesmente não é mais possível fingir que o evento não aconteceu.

Os tempos estão mudando, mas as pessoas também estão. Agora a voz de todos é importante, graças ao poder das redes. E como muito sabiamente me disse uma vez o amigo Jomar Silva:

“Todo o mundo pode ser um imbecil numa sala fechada, mas dificilmente continuará sendo em público.”

Mais eficiente do que fiscalizar o trabalho de alguém, é simplesmente mostrar o que ele está fazendo. A população é capaz de julgar o resto.

Morre um expoente da Cultura Hacker

Foto de Aaron Swartz

O fim de semana foi triste para os hackers de plantão: morreu Aaron Swartz, um dos maiores expoentes da cultura hacker no mundo. O mais triste foi que ele não apenas morreu, mas se suicidou tristemente.

Escrevi sobre o caso no meu blog aqui. Passe por lá e deixe sua mensagem nos comentários.

P.S.: Está ocorrendo no twitter uma campanha de homenagem a Aaron onde os artigos acadêmicos estão sendo disponibilizados livremente com a hashtag #pdftribute. Que tal render sua homenagem publicando seus artigos também?

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