Neymar saiu e a Globo não viu

Instagram do Neymar

Se você mora em Marte e ainda não sabe, vou te avisar: o jogador Neymar Júnior do Santos Futebol Clube foi oficialmente negociado para o Barcelona. Não, não quero entrar na lista do Gian Oddi com o melhor do twitter sobre a sua saída. Estou aqui apenas para registrar o anúncio oficial:

Instagram do Neymar
Foto: Reprodução Instagram

Você estava esperando a capa do jornal, não é mesmo? Pode falar a verdade, eu sei que estava. É assim que as coisas aconteciam antigamente. Sim, antigamente, porque hoje em dia não acontecem mais.

Naquela época, há quase uma vida atrás, o Barcelona marcaria uma entrevista coletiva para agradecer a escolha e apresentar o craque, não é mesmo? Talvez até apertassem as mãos em portas fechadas para divulgar o acordo, que provavelmente haverá. Então, qual seria a forma mais correta de “agradecer” pela escolha?

Conversa no twitter com Neymar
Foto: Reprodução twitter

Havia não sei quantos repórteres de todas as partes do mundo, milhares de pessoas tentando subornar fontes, enfim, todo o aparato da mídia tradicional estava montado com o principal objetivo de ser o primeiro a dar a notícia. O famoso furo de reportagem, o sonho de todo jornalista. Com o que aconteceu no caso Neymar, sabe quem deu a notícia? Ele mesmo, através do Instragram. Se não acredita em mim vai lá ver: http://instagram.com/p/ZwXvcIxtnX/

O assunto é relevante porque as grandes corporações de mídia estão tentando desviar o foco da mudança. Na maneira pela qual o Mercado se acomodou, a Internet é apenas mais um meio de comunicação a ser explorado pelas empresas, que oferecem a audiência na grande rede como parte do seu mídia kit. Ou seja: eles prometem anunciar na Tv, rádio, Internet, etc. Não à toa os maiores portais do país hoje são dos grandes conglomerados de comunicação: UOL pertence à Folha de São Paulo, Globo.com pertence à ela mesma, IG pertencia de maneira indireta à Brasil Telecom, e por aí vai. Que eles são grandes eu não tenho dúvida, mas já se perguntaram se a audiência deles é maior mesmo?

Todo o mundo já ouviu falar do tal Ibope, o instituto de pesquisa que é o terror dos apresentadores de televisão. O negócio deles funciona mais ou menos assim: as empresas de publicidade precisam ter estatísticas sobre o alcance de seus programas, então o que elas fazem? Contratam o Ibope para medir a audiência dos programas de televisão. Assim, quem tiver maior audiência vai receber mais publicidade para atingir mais público e por aí vai. Adivinha quem mede também a “audiência” na Internet? Claro, o nosso amigo Ibope, que adota um nome mais estiloso para a Internet: Ibope/NetRatings.

Vamos ver então: se eu sou TV e quero que meu programa dê audiência eu preciso alavancar o Ibope. Agora reflitam sobre o que sai mais barato: construir um programa bom, atrair público, atrair audiência, ou simplesmente aumentar o Ibope? Fica a dúvida, mas falamos sobre isso em outra oportunidade.

Suponhamos que os números do Ibope sejam confiáveis e você, como empresário, queira anunciar, digamos, na Rede Record. Quanto isso ia custar pra você e quantas pessoas você iria atingir, sem envolver segmentação para facilitar a conta? Segundo o site da própria Rede Record, 15 segundos no Balanço Geral custariam R$ 2.910,75 e atingiria algo em torno de 9 pontos na “escala” Ibope segundo a própria Record. Um bom número para o horário. 9 pontos pela metodologia seria algo em torno de 9% da população com TV assistindo o programa, ou seja, umas 200.000 pessoas em Brasília.

Bom, agora vejamos outros números interessantes. Você conhece o Estilo Candango? Não? Então divirta-se:

Esse cara, com um vídeo feito no seu quarto, atingiu até hoje quase 600.000 pessoas. Você pode argumentar que o vídeo foi feito há 2 anos, mas qual foi o custo que esse vídeo teve?

No dia de hoje especialmente estamos lidando com uma certa “carência” da grande mídia, pois o Neymar não deu a notícia exclusiva para o Jornal Nacional, como chegou a especular o jornalista Juca Kfouri. Ele simplesmente o fez pela Instragram, canal esse que é muito mais familiar à ele. Aí entra a questão importante: teoricamente o objetivo do anúncio é conseguir chegar ao público. As empresas mantém assessorias de imprensa para garantir que a informação da empresa chegue aos jornalistas e os mesmos a transmitam ao público da maneira que lhes parece a mais correta. Neymar acaba de provar que, se isso ainda não é desnecessário, pode se tornar em um período muito curto.

O único entrave para que isso aconteça é o acesso à tecnologia. Afinal, quantas pessoas podem ler algo publicado no Instragram, ou seguir o twitter do Neymar? Em Brasília, 71,7% das pessoas já navegam na Internet. Isso significa que a Internet já está acessível para quase todo o mundo, e não dá mais pra dizer que trata-se de algo restrito. A tendência é que o número cresça para algo próximo de 100%, assim como a televisão. A Petrobras talvez tenha sido a primeira grande empresa a perceber que, para enviar a mensagem a seus clientes, basta publicá-la. Não é preciso mais pagar um jornal de grande circulação e divulgar uma nota de página inteira como era feito antigamente.

Para finalizar, deixo uma pergunta: será que precisamos mesmo de jornal e televisão? Afinal, a melhor cobertura oficial é aquela feita por você mesmo, como bem nos ensinou a posse do Papa Francisco.

Comparação entre posses dos Papas
Foto: reprodução NBC

Será que alguma dessas pessoas em 2013 comprou o jornal no outro dia para ver a foto da posse? Eu acho que não.

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