Vida e morte do facebook

logo facebook com cadeado

Olá pessoal. Sacudindo a poeira para escrever um texto que estava rascunhado já havia algum tempo, mas nunca conseguia terminar. Aproveito o momento em que cheguei no limite com o facebook para explicar pra vocês um pouco do que está acontecendo.

Não há dúvidas de que o comportamento online no Brasil é dos mais intensos do mundo. O brasileiro em geral adora a Internet e bate recordes de tempo conectado, principalmente nas famosas redes sociais. Para o país das telenovelas, é ainda mais surpreendente perceber que já passamos mais tempo na Internet que na televisão. Os dados indicam que estamos cada vez mais tempo vendo uns aos outros, e como você já deve ter percebido por aí, algumas pessoas têm mais necessidades de ser vistas que outras, e acabam trocando sua privacidade por cinco minutos de fama.

Conheço muita gente que passa o dia tentando aumentar o número de seguidores no twitter e facebook, se perdendo em gráficos e análises de conteúdo e comportamento. Afinal, existem dois fenômenos que são muito naturais no mundo moderno:

  1. Com a implementação das ferramentas de monetização, todos (sim, eu disse TODOS) podem ganhar algum dinheiro com a Internet. Preste atenção na palavra algum.
  2. Quem não gostaria de ganhar dinheiro pra “ficar na Internet”? Afinal você já faz isso mesmo, não é verdade?

Aí entra o ponto em que todos desejam ser o próximo Jovem Nerd ou ainda mais ousado é desejar ser o Não Salvo, já que esse último não faz nada mesmo: fica apenas colocando conteúdo que enviam pra ele. Dá-lhe então blogues, facebook’s, twitter’s, até mesmo Spam pros amigos tá valendo com o objetivo de “ficar famoso” e passar a “viver de Internet”.

Obviamente a coisa não é tão simples assim e conheço pelo menos uma dezena de pessoas que sofrem com algumas frustrações por não serem capazes de atingir o tão sonhado número de seguidores/curtidores/leitores que os permitiria ficar “independente” pra sempre. A ferramenta ou estrada para o sucesso é a mesma: monetização.

Essa palavra que parece um pouco feia na verdade é muito simples: imagina que o um amigo está querendo vender um carro e te oferece pra andar com um cartaz grudado nas costas com o anúncio do carro e o telefone dele. Por que você faria isso? Dinheiro, claro! Ele te prometeu uma grana SE ele vender o carro QUANDO ele receber o dinheiro. Como estamos cada vez mais conectados e a Internet é muito dispersa, fica muito difícil para as empresas que precisam de publicidade atrair a sua atenção. Afinal, basta um clique, um Alt+Tab, qualquer coisa, e você não vê aquele anúncio. A saída que eles encontraram é chegar até você pelos seus amigos.

Agora vejamos como a coisa funciona na prática. Quero fazer uma página sobre, digamos, coisas de Brasília. Crio um tal de Portal dos Calangos e chamo meus amigos pra escrever coisas sobre Brasília, com o objetivo de atrair leitores daquela cidade. O Portal logo vira um sucesso e chegamos aos milhares, quiçá milhões de leitores, e passa a ter gente que não vive sem dar uma olhadinha no que estamos escrevendo todos os dias. O que acontece então? As empresas, que não conseguem mais te atingir porque você vê cada vez menos televisão e não tem carro pra ficar ouvindo rádio, decidem anunciar no Portal dos Calangos fazendo uma mega campanha.

Pois bem, nosso Portal é capaz de atingir, digamos, 10.000 pessoas. Ainda que pareça bastante, o nosso amigo Ibope diz que anunciar no Balanço Geral da Record atinge 300.000 pessoas. Sabendo disso eles podem cobrar pela publicidade um preço bem maior do que a gente, e enquanto cada dez segundos lá custa uns R$ 20.000,00 anunciar aqui não custaria nem R$ 200,00. Isso é claro considerando que tivéssemos a audiência de 10.000 pessoas. Em Português claro: trabalhamos o mês inteiro e ganhamos R$ 200,00 pra dividir entre sete colunistas. Paga as contas?

O nosso amigo facebook no entanto atingiu recentemente o total de 47 milhões de visitantes no Brasil, que passam horas e horas conectados e visualizando os anúncios que a plataforma oferece. Quanto eles podem cobrar por isso? É nesse momento que eu gostaria de lhe propor uma pergunta: qual o conteúdo que o facebook gera? Quem está ganhando dinheiro com o que você publica por lá? Ok, mas você pode achar que o conteúdo que você publica nem é tão interessante assim e que eles podem levar um dinheiro com suas fotos e vídeos, mas não é só você que publica por lá. Foi o que percebeu recentemente a Rede Globo de televisão.

Veja, ao colocar o conteúdo da sua empresa no facebook, está fornecendo subsídios para que ele lucre com o material que você produziu. A Globo percebeu o óbvio: trata-se de uma empresa de mídia também, em muitos aspectos concorrente, e mesmo que esteja divulgando seus programas através da rede está vendo uma grande quantidade de dinheiro se esvair pelos seus dedos e indo parar na mão do concorrente. Imagine a audiência de uma novela das 20h00 e o que isso não gera de dinheiro? Por que dividir isso com o titio Mark? Eu também não vejo sentido.

E aí entra o ponto que acredito ter sido a sentença de morte do facebook. Cada vez mais eles tentam selecionar o que passa na sua timeline, com a desculpa de que estão te oferecendo um conteúdo mais próximo do que você deseja. Ora, mas como ele vai saber o que eu desejo se ele não me deixa escolher? Por que eles estão fazendo isso? À medida que os acessos em sua plataforma crescem, as empresas se tornam mais e mais dependentes dele como plataforma de mídia. Aí eles criaram uma interface para te extorquir dinheiro perguntando se você não quer “Impulsionar a publicação”, ou seja, cobrando para mostrar aos usuários aquele conteúdo que eles pediram pra receber de você ao curtir sua página. Simplesmente ridículo.

O que o titio Mark ainda não entendeu é que não adianta jogar contra as pessoas que são responsáveis pelo seu sucesso. Quase todos os produtores de conteúdo relevante estão pulando fora do facebook, e poderia enumerar dezenas de razões, mas vou citar apenas algumas:

  • Tentativa de extorsão dos donos de página ao impedir que o conteúdo chegue diretamente pra quem curte a página;
  • Mudanças frequentes na política de privacidade vendendo suas informações de forma cada vez mais irrestrita;
  • Mudanças frequentes demais na interface.

Se você acha que não pode piorar, tente desenvolver um jogo ou integrar uma aplicação com eles. Não vou nem comentar, apenas deixar o link:

http://www.bogost.com/blog/oauth_of_fealty.shtml

O que eles me parecem não ser capazes de perceber é que a maior riqueza de uma rede social é o conteúdo inserido pelo usuário e o ecossistema de aplicativos ao seu redor. Ao ignorar esses fatores o facebook assina sua sentença de morte, sentado em cima de seu gigantismo, do ego de seu dono e da incapacidade de criar um modelo de negócios que seja menos nocivo ao usuário. Ou seja: a empresa já está falida.

Tchau facebook. Olá Diáspora!

Já faz algum tempo que não escrevo e tenho pelo menos três posts pela metade falando do facebook, mas agora simplesmente não pude ficar calado. Eles decidiram atirar a merda na minha cara, e dessa vez eu vou cuspir de volta:

http://gizmodo.uol.com.br/facebook-remove-opcao-de-privacidade-e-agora-qualquer-um-pode-encontrar-seu-perfil/

Se você não entendeu, o que acho difícil já que está tudo muito bem explicado, eu te digo: o facebook não permite mais que você tenha um perfil privado. Isso mesmo: agora todas as pessoas poderão te achar, mesmo que você não queira. Antes havia uma opção de você impedir que seus dados fossem visualizados por outras pessoas sem que você autorizasse, e agora eles inverteram a coisa: se você não quiser que ninguém veja, vai ter que decidir na hora de publicar.

Você deve estar se perguntando o que há de tão ruim nisso, já que ninguém usava mesmo. Preste atenção nesse trecho destacado pelo Gizmodo:

A configuração também fez o recurso de busca do Facebook ficar incompleto algumas vezes.

O grande lance é o seguinte: para que a busca funcione como deveria, seria necessário ter acesso à todas as informações de todos os usuários, pois às vezes alguma informação que você precisa encontrar está em um perfil privado. Não encontrar o que se busca não é bom para a empresa. Afinal, para vender aos anunciantes que o serviço é bom eles precisam de mais informação. O princípio é o mesmo que escrevi aqui: a busca depende de haver informação pública disponível, e quando não há começa a ser incompleta.

É preciso também que você aprenda a enxergar os sinais, que já são claros desde quando o Ning passou a ser pago. Primeiro o facebook começou a controlar o que aparecia na sua timeline quando passou a exigir que você assinasse o feed das páginas, e começou a controlar o que aparecia no seu feed de notícias. Com isso eles estavam querendo realmente o que parece: controlar o que aparece na sua página. Em teoria, por conhecer o que você gosta ele promete te apresentar o que é de seu interesse. Aí eu te pergunto: no período das manifestações quantas notícias sobre o tema apareceram na sua timeline? Você acha que foi por acaso? Agora veja a estratégia que a NSA usou para tentar desarticular a Deep Web e a rede TOR. No Brasil os donos das páginas do Anonymous foram presos e notificado pelo governo. Coincidência?

Agora a coisa chegou ao fundo do poço: eles acham que eu ter alguma privacidade, ainda que ilusória pois eles sabem tudo o que estou fazendo, acaba prejudicando os negócios. Uma rede neural com base em informações depende de elas estarem disponíveis, motivo pelo qual eles estão mudando as políticas de acesso. Aí você deve estar pensando: o que eu faço então? Com a palavra, o amigo Anahuac:

http://www.anahuac.biz/?p=319

As redes federadas livres são nossa única opção, pois são fisicamente distribuídas, baseadas em Software Livre e não tem como nenhum país assumir o seu controle. Os dados são protegidos por pessoas de diferentes partes do mundo, e somente o fato de alguém tentar roubar alguma informação é tão complexo que acaba não valendo a pena. Vou deixar a explicação para outro dia, mas estou dando um basta para o Markinho. Tchau facebook! Seja bem-vinda Diáspora:

https://joindiaspora.com/

Se quiser me encontrar por lá vai ser fácil: eduardosan@joindiaspora.com

Sim, somos espionados. Por que a surpresa?

Espião

Confesso que estou dando risadas com a repercussão da reportagem do Fantástico. Se você ainda não leu, dê uma olhada aqui:

http://g1.globo.com/politica/noticia/2013/09/documentos-da-nsa-apontam-dilma-rousseff-como-alvo-de-espionagem.html

Já faz muitos anos que defendemos a utilização de Software Livre não apenas por ser de graça, mas por ser estratégico para a soberania nacional. No jogo político internacional somos reféns das empresas americanas, que obviamente seguem as normas do governo de lá, e por isso somos espionados. Já relatei para algumas pessoas próximas um caso de espionagem internacional que presenciei. Sabe o que fizeram? Deram risada. “Lá vem aquele maluco chato de novo.”

A primeira pessoa a levar a questão a sério foi o antigo Secretário da SLTI, Rogério Santanna, que caiu porque bateu de frente com as teles. Não quis ceder às exigências deles, que envolviam desde a proibição da utilização de ativos de rede americanos (comprovadamente e oficialmente grampeados) até a discussão sobre o fluxo dos dados no Brasil, que já comentei inúmeras vezes. A sensação que todos temos é de que a Dilma nunca deu muita bola para essa questão de Software Livre.

Pois bem, a quem interessar possa: o notebook dela é Windows. Veja o que aconteceu no Google porque seus diretores usavam Windows: foram atacados e invadidos, única vez que isso aconteceu até hoje. O celular dela provavelmente usa Android, que pertence ao Google. Será que ela lê e-mails no celular? Provavelmente sim, e a NSA também.

Só existe uma saída: radicalização das políticas públicas de soberania nacional. Posso resumir em pequenos pontos:

  1. Proibir a utilização de ativos de rede fabricados nos Estados Unidos em todas as redes do Governo;
  2. Aprovação imediata do Marco Civil da Internet;
  3. Retomada da infra-estrutura de comunicação primárias, ou grandes backbones, que estão na mão do mexicano Carlos Slim;
  4. Chamar o Rogério Santanna de volta para a Telebras IMEDIATAMENTE;
  5. Proibir a utilização de software proprietário pertencente a empresas americanas no Governo;
  6. Exigir que as empresas estrangeiras mantenham no Brasil os dados dos brasileiros.

Radical demais? Sim. Provavelmente nenhuma dessas medidas será adotada, mas é o que deveria ser feito. Contudo, nem mesmo se eu fosse presidente acho que seria capaz de adotar todas essas medidas.

(Nenh) Um Computador por Aluno

Usando o OLPC

O programa Um Computador por Aluno, para quem não sabe, foi um dos projetos mais comentados no final do ano de 2010, pois havia o lançamento de um produto que prometia ser revolucionário: o OLPC. A ideia era simples: fornecer um computador que custasse no máximo US$ 100,00 e que pudesse ser utilizado por países em desenvolvimento para ajudar na alfabetização de crianças pobres.

Vi os primeiros protótipos e fiquei realmente impressionado: muito mais do que tratar-se de um computador barato, a proposta do OLPC ia muito além. Cheguei a segurar em minhas mãos um protótipo que era carregado por corda, ou seja, você ficava “dando corda” nele até carregar completamente. Além disso, praticamente inventou as redes Mesh, onde um computador poderia servir de ponto para outro conectar-se à Internet.

Não vale nem a pena citar as revoluções tecnológicas implementadas pelo Projeto, porque elas foram incontáveis. Eu ouso dizer que os ditos laptops, ou computadores móveis, nunca evoluíram tanto. Dê uma olhada no site do Projeto e tire suas próprias conclusões.

Eu fiquei muito empolgado com essa novidade que foi desenhada para agir em países muito pobres, com pouquíssimos recursos disponíveis, ainda piores  que o Brasil. O próximo a se empolgar foi o Presidente Lula, que criou o Projeto Um Computador por Aluno que tinha um único objetivo: trazer  os OLPC’s de Nicholas Negroponte para o Brasil.

Pois bem, tudo lindo, tudo desenhado, ainda existia uma barreira que ninguém dava importância, mas se revelou intransponível: as licitações brasileiras. Saiu a licitação para comprar os notebooks, ela foi cancelada e outra saiu no seu lugar.  Uma empresa indiana ganhou e entrou na Justiça contra o Governo, deu um rolo danado e chegamos no ponto em que estamos hoje: o projeto existe em outra formação e as escolas não estão usando os computadores.

Por que as escolas não estão usando? Um motivo simples: na licitação ganhou uma empresa que preenchia os requisitos técnicos solicitados, mas havia outros que não estavam no edital. Era preciso que a escola tivesse Wi-fi para os computadores se conectarem à Internet e precisava de energia para ligar os notebooks, coisas que a escola não tem capacidade de oferecer.

Aí você deve estar pensando: como assim não tem isso? É o básico. Sim, mas o projeto OLPC já foi pensado para funcionar na ausência dessas estruturas. Tanto que era carregado por corda e inventou as redes Mesh.  Aí você pensa: por que essas exigências não estavam na licitação final? Eu respondo: medo.

Se o gestor público colocasse essa exigência na licitação todas as empresas entrariam na justiça imediatamente alegando que o fornecedor OLPC estava em vantagem, o que seria enquadrado como falta de concorrência. No princípio da “economicidade” você não pode e não deve nunca comprar algo que só tem origem em um único fornecedor, sob pena de estar favorecendo aquela empresa. Nesse modelo, é quase impossível ao gestor contratar tecnologia de ponta.

Aí eu pegunto a vocês: vale a pena? Não tenho dúvidas de que a compra dos notebooks obedeceu à legislação, mas é impossível dizer que o resultado foi satisfatório. Temos um contingente ENORME de computadores do programa UCA que depende de boa conexão à Internet e uma tomada para recarregar. Em quantas escolas isso é a realidade? A compra mais barata trouxe algum benefício para o país?

Se não fizermos algo para mudar o modelo de contratação do Governo brasileiro, o país vai se tornar inviável em pouco tempo. Continuo defendendo a EXTINÇÃO dos Tribunais de Contas em todos os níveis e a transparência nas compras públicas. Dados abertos, em minha opinião, são muito mais relevantes que a burocracia.

Usando o OLPC

P.S.: Essa imagem poderia ser no Brasil, mas por causa do modelo de contratação não é.

Eles estão atrás de você

Foto do Tio Sam

É isso aí pessoal, o Tio Sam está atrás de nós. De mim, de você de todo o mundo. Vou colocar o link aqui para quem entender de inglês:

http://www.twitlonger.com/show/n_1rlo0uu

A maior parte das pessoas vai ficar perdida com a notícia solta, então vou ter que “desenhar” como diria o outro. Já há algum tempo que venho falando sobre a onda de protestos que aconteceu no mundo, começando com o Egito e descambando no Brasil. Sabemos também a importância que a Internet teve nisso tudo, como as lideranças são dispersas, etc. Dê uma olhada no histórico por aqui e leia sobre o assunto.

Pois bem, pensando como um líder de Estado que conhece as ferramentas de manutenção do poder, o que você pensaria? Enforcar um líder em praça pública? Bom, a história já mostrou que isso não deu certo, inclusive no Brasil. Qual a outra estratégia então? Esvaziar os líderes e convencer a população de que uma medida mais enérgica é necessária, porque afinal de contas é preciso garantir a segurança do povo. Agora dê uma lida aqui:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/08/deputado-diz-que-ameaca-de-ataque-da-al-qaeda-e-a-mais-grave-em-anos-1.html

Os Estados Unidos e sua Guerra ao Terror justificaram um monte de atrocidades nos últimos anos, incluindo a invasão de um país estrangeiro para executar e matar alguém que não foi sequer acusado. Ou ainda iniciar uma guerra sob o pretexto de armas que nunca foram encontradas. Agora os próximos alvos parecem estar definidos: os ativistas de Internet que impedem que o monitoramento da humanidade aconteça.

Os protestos ao redor do mundo possuem duas características em comum: a presença de jovens com máscaras do V de Vingança, que depois teriam se “organizado” sob o movimento Anonymous, e a extrapolação do simples ato de protestar em manifestações de violência que seriam injustificadas. Algumas pessoas, para o choque da imprensa e desespero da polícia, simplesmente decidem baixar o pau e quebrar tudo. Agora já se sabe que na maior parte dos casos a quebradeira é organizado pelo movimento Black Bloc, que como está escrito no próprio manifesto do grupo:

Os Black Bloc NÃO SÃO MANIFESTANTES!!! Eles não estão lá para PROTESTAR!!! Eles estão lá para tomar uma ação direta contra as máquinas de opressão!

A estratégia de combate então está traçada: vamos obrigar todos a cadastrarem a biometria com o pretexto da segurança na votação para podermos identificar os perfis violentos que vemos nas redes sociais quando acontecer uma situação limite de confronto. Contudo, no meio da caminho há uma pedra, há uma pedra no meio do caminho: a Internet possui outra camada, até então inacessível às autoridades que já controlam todos os outros meios de comunicação. Alguns chamam de Deep Web, outros chamam apenas de navegação anônima.

A estratégia é bem simples: você se conecta da sua casa até um servidor qualquer em algum lugar do mundo. Esse servidor redireciona suas conexões para outro, que manda para outro, que manda para outro, e por aí vai. Detalhe: em todos os pontos a informação é criptografada. Assim as principais ferramentas de monitoramento baseadas no endereço IP de origem e a interceptação dos pacotes de dados fica praticamente impossível.

Tais ferramentas estão se tornando cada vez mais simples de usar, saindo apenas do escopo dos que têm muito conhecimento em informática e se popularizando entre os usuários comuns, principalmente depois do escândalo do PRISM. Se todo o mundo usasse o TOR e saísse do facebook, todo o aparato de monitoramento montado pelo governo americano seria inutilizado, e isso é claro que eles não podem permitir. Aí vem a primeira notícia do post: estão tentando desarticular a rede de voluntários que forma a Deep Web. A receita é conhecida: prendemos o cara sem nenhuma acusação por tempo o suficiente para apagar os servidores e destruir a tecnologia. Depois podemos soltá-lo sem maiores problemas.

Nos últimos dias você deve ter lido uma notícia sobre o combate à pedofilia na Internet e aprisão de muitas pessoas ligadas ao tema, pelo menos em teoria. O fato é que um dos mais importantes servidores de distribuição da rede TOR foi desligado com a prisão do seu líder, sob a acusação de pedofilia. E não foi só ele. A rede sofreu um golpe pesado com a prisão de outras pessoas. Aí você poderia estar pensando: “ah o meu TOR vai parar de funcionar”, certo? Errado: a galera encontrou um MEGA exploit inserido dentro da rede que começava a enviar informações dos usuários direto para o FBI. Veja: http://postimg.org/image/ltj1j1j6v/

Coincidência? Bom, o fato é que o FBI montou um site de pedofilia por um tempo e após a prisão do cara tirou do ar.

Me parece claro que a guerra agora se torna aberta. O próximo passo provavelmente será ir atrás dos tais “baderneiros” para prender em flagrante, mas eles só vão conseguir cumprir o objetivo se a rede TOR for desligada.  Existe uma clara estratégia de monitoramento e repressão da população em andamento, que não é igual à que presenciamos na ditadura militar, mas é semelhante. A pergunta que fica é: o Governo tem o direito de monitorar todo o mundo para encontrar alguns suspeitos considerados violentos? Se alguém mandar você abrir a sua casa porque acha que você tem drogas lá dentro você deve abrir? E por que abrir o seu computador?

De uma maneira bélica, a estratégia parece perfeita. Contudo, parece que os responsáveis pela repressão não leram o quadrinho de Alan Moore:

Idéias não são só carne e osso. Idéias são aprova de balas.

Não é possível prender e reprimir uma ideia. O povo está de olho e não tem volta.

Anonymous Brasil

Por que fomos monitorados?

Depois do que escrevi sobre o caso Snowden, você deve estar se perguntando: por que fomos monitorados? Afinal de contas, qual o interesse que o Obama tem nas minhas conversas do facebook? O que ele quer com meu twitter? Pra que estão me monitorando, afinal?

Cartaz do Grande Irmão

A resposta é dada nessa entrevista do Professor Pedro Rezende (sim, ele mais uma vez), onde explica os motivos pelos quais o programa foi instalado: dinheiro. Pura e simplesmente dinheiro.

Para entendermos o que o dinheiro tem a ver com todo esse programa de monitoramento, é preciso primeiro voltar um pouco no tempo para um serviço que a maior parte dos usuários desconhece, mas que hoje tem fundamental importância no capitalismo internacional: soluções automatizadas para negociação em bolsa de valores. Para a maior parte das pessoas, a única informação que interessa é o valor que a ação fecha ao final do dia, indicando se houve lucro ou prejuízo.  Contudo, o valor da ação não é linear, e até atingir o fechamento ele oscila bastante durante o dia, como podemos ver no gráfico abaixo.

Gráfico BOVESPA
Gráfico de oscilação do dia 16/07/2013

Se analisarmos apenas o fechamento veremos que ao final do dia o índice caiu. Isso significa que todos tiveram prejuízo? Não necessariamente. Se alguém comprou quando o gráfico estava lá embaixo e vendeu alguns instantes antes do fechamento, mesmo em um dia ruim para a bolsa ele conseguiu ter lucro. O próprio fato do índice ter aumentado só pode ter significado uma coisa, de maneira bem simplista: pouco antes do final do dia tinha mais gente querendo comprar do que vender, e por isso o preço estava subindo.

Uma solução de negociação automatizada bem configurada seria capaz de, no momento de menor valor do índice, executar muito mais transações do que qualquer ser humano, sendo capaz de fazer milhares e até milhões de transações de compra e venda por segundo. Se houvesse uma ferramenta capaz de prever o exato momento de baixa da bolsa, seria então possível ativar um robô para fazer negociações e maximizar os lucros naquele dia, mesmo tratando-se obviamente de uma perda.

Agora imagine que durante uma semana a bolsa teve o mesmo gráfico de oscilação. Ora, seria possível saber, através de matemática simples, que a partir de determinado horário ela passaria a subir e não pararia até fechar o pregão. Assim, com as soluções de negociação, eu ficaria na minha casa tomando café enquanto um robô construído por mim maximizaria meu lucro dia após dia.

A coisa não é toda tão simples assim e existem muitas variáveis que estou desconsiderando, como o fato de ter mais gente comprando fazer o preço subir, etc. Se fosse fácil assim estariam todos ricos, vale lembrar. Na verdade, matematicamente ainda não há um padrão para o comportamento da bolsa, pois ela depende muito de algo que é difícil de medir: o comportamento humano. Aquela sensação que temos ao ver uma loja com fila  e associarmos ao sucesso, enquanto outra sem fila é associada ao fracasso gera o famoso “efeito manada”, muito discutido em mercados financeiros. Na crise da década de 30 nos EUA, por exemplo, apesar da população ter quebrado de maneira geral, as empresas que vendiam bebida foram muito bem. O povo afogou as mágoas na cachaça e isso gerou lucro para um pequeno nicho de empresas, ainda que a queda na bolsa tenha sido vertiginosa.

Já existem aproximações matemáticas, principalmente baseadas em Inteligência Artificial, que são capazes de fazer cálculos indicadores de tendência de alta ou baixa. Ainda que não seja possível definir com exatidão o preço que vale aquela ação, os algoritmos são capazes de dizer se ela vai subir ou vai descer. Contudo, para que a inteligência funcione, precisamos alimentá-la com um combustível muito especial, e aí começamos a entender a importância do PRISM: informação. Se houvesse um super computador que recebesse como entrada tudo o que toda a humanidade está pensando nesse momento, ele seria capaz de prever uma tendência de  compra ou uma necessidade nesse ou naquele produto. Sabe o que é mais assustador de tudo isso? O super computador existe e se chama facebook.

A cada mensagem compartilhada, música ouvida, foto vista, estamos alimentando a maior fonte de informações da história da humanidade, que já possui mais de um bilhão de usuários ativos mensalmente. Você pode pensar que não tem nada a esconder, e provavelmente não tem mesmo, mas isso não importa. O que importa é que suas informações são entrada de um gigantesco sistema de manipulação e processamento que traz, como resultado final, a manutenção da indústria armamentista norte-americana. Não só isso, serve para financiar empresas gigantes que agem globalmente em guerras de países miseráveis, fornecendo não só armamento para as chacinas, como também inteligência para a manutenção de regimes que passam longe dos Direitos Humanos.

Como o meu amigo Anahuac bem falou em sua palestra no FISL, as informações sobre os protestos no Egito chegaram ao “Presidente” quatro meses antes de tudo acontecer. Era tempo mais do que suficiente para reprimir uma revolução utilizando uma ferramenta conhecida desde os tempos de Maquiavel: repressão aos líderes, dissimulação e manipulação dos meios de comunicação. Ele só não o fez porque não acreditou que a fonte informações, o facebook, estivesse tão certa. Nesse caso, o seu facebook estaria colaborando com a manutenção do regime no Egito.

Aí eu te pergunto: é isso o que você quer? A ignorância pode ser uma bênção, mas agora que você sabe, como se sente? Reflita. Simplesmente isso.

 

 

O que aprendemos com Edward Snowden

Reunião com Snowden

Para quem vive em outro planeta e não sabe o que está acontecendo, Edward Snowden é o agente da NSA que “jogou tudo no ventilador”, ao revelar o que muitos de nós já sabíamos: todas as comunicações através da Internet são monitoradas. Não apenas são monitoradas, mas alguém está de fato lendo tudo o que escrevemos por aqui. Se quiser entender onde tudo começou, sugiro que leia o post que publiquei sobre quem é o verdadeiro dono da Internet. Veja aqui também o relato do amigo Anahuac, e principalmente a entrevista do Professor Pedro Rezende.

Na Sexta-feira, o wikileaks (é claro que tinha que ser o Wikileaks) publicou aquela que parece ter sido a primeira declaração de Edward Snowden para um veículo realmente independente, longe das análises equivocadas dos analistas de sempre com seus conceitos e políticas de sempre. A entrevista completa pode ser lida aqui, já traduzida para o Português:

http://redecastorphoto.blogspot.com.br/2013/07/declaracao-de-snowden-em-sheremetyevo.html

Leia aqui a versão original em inglês.

Gostaria de chamar a atenção de todos a alguns trechos de sua entrevista:

Boa-tarde. Meu nome é Ed Snowden. Há pouco mais de um mês, eu tinha família, um lar no paraíso, e vivia com grande conforto. Tinha também meios para, sem qualquer ordem judicial, procurar, avaliar e ler as comunicações de vocês todos. Comunicações de qualquer pessoa, a qualquer momento. É o poder para mudar o destino das pessoas.

Eu acho que muita gente ainda não entendeu a gravidade essas denúncias, então vou tentar ser mais claro: sabe aquela vez que você trocou uma mensagem com alguém, que tinha uma foto mais, digamos, picante? Alguém viu essa foto. Sabe aquela conversa feita pela Webcam com aquela “senhora de respeito”? Tinha alguém assistindo. Sabe aquele segredo de governo que você enviou pelo GMail ou e-mail pessoal para não trafegar nos canais oficiais de comunicação? Alguém leu.

Durante muito tempo ninguém deu a mínima pra isso, como no caso do Governo de SP que fez um acordo IMORAL com a Microsoft com a desculpa de que seriam cedidas caixas de correio gratuitamente aos alunos. Sem entrar no mérito técnico de analisar todo o comportamento de uma sociedade que está crescendo através do e-mail, obrigar professores e alunos a dar de graça seus dados ao Governo Americano é simplesmente burrice. À época, a “mídia especializada” tratou a notícia como boa, e ninguém se indignou com o fato.

Pois bem, parece que os dias de imoralidade escondida estão finalmente acabando. Somente me chamar de maluco não vai mais resolver o problema, e chegou a hora de alguém tomar uma atitude real. É preciso entender que o problema está longe de acabar. Veja outro trecho da declaração.

Assim, fiz o que acreditei ser certo e comecei uma campanha para corrigir esses malfeitos. Não procurei riqueza para mim. Não procurei vender segredos dos EUA. Não colaborei com qualquer governo estrangeiro para garantir minha segurança. Em vez disso, levei o que eu sabia para a opinião pública, para que o que nos afeta todos nós possa ser discutido por todos nós à luz do dia e pedi justiça ao mundo.

Vejam que o governo americano está perseguindo-o com a acusação de espionagem, ou seja, de ter vazado o fato de estarem investigando a vida das pessoas sem autorização. Parece absurdo, mas é verdade.

Contudo, o mais importante é aprendermos com tudo o que está acontecendo. Muita gente acusa o Brasil de estar se vendendo para os americanos, mas gostaria de convidá-los todos a fazer uma reflexão com base nas notícias e palavras de Snowden. Vou tentar variar as fontes para ser o mais claro possível e eliminar um pouco a influência desse ou daquele estilo de escrita.

Notícia: EUA espionaram milhões de e-mails e ligações

Tradução: Agora eles não podem mais esconder

Notícia: América Latina exige explicações de Governo dos EUA

Tradução: Dá pra compartilhar com a gente também?

Notícia: Explicações do governo americano são consideradas insuficientes

Tradução: A proposta pra entrarmos no esquema precisa melhorar

Se o PRISMa americano foi atirado no ventilador, o Brasil está na fila. Também já falei sobre isso há muito tempo e vou repetir para que não digam que não avisei: todo o tráfego de Internet que sai pela operadora Oi é monitorado. Ok, você vai me chamar de maluco de novo. Ou será que vai me enxergar sob um novo PRISMa?

A nossa única salvação é o Marco Civil da Internet. Vamos pra rua exigir que ele seja votado?

Não podemos entregar nossa biometria pra eles!

Biometria não!

Se você ainda não sabe, o TSE está não apenas pedindo, mas EXIGINDO que todos os cidadãos do Brasil realizem o seu recadastramento biométrico sob pena de perder o seu título de eleitor. Segundo o cronograma proposto pelo verdadeiro DONO da “democracia” brasileira, aqui em Brasília quem não se recadastrar para as próximas eleições vai perder o título de eleitor.

Ora, mas por que eu deveria estar preocupado com isso? Afinal é só mais um passo na já complexa burocracia de nosso governo, não é mesmo? Antes de mais nada dê uma lida aqui. Agora tenha o seguinte em mente: todas as informações que você coloca na Internet são públicas. Sim, eu disse TODAS! Tenha sempre aquela sensação de que alguém está fungando no seu cangote e lendo, simplesmente porque é verdade.

publiquei aqui também uma série de matérias que mostram como não dá pra confiar na Urna Eletrônica e muito menos na Segurança da Informação do TSE, uma vez que a rede já foi invadida.  Se você fornecer seus dados biométricos para o tribunal, ele estará de posse de uma identificação inequívoca sobre a sua pessoa. Isso significa que será digitalizado um registro único com a sua identificação para sempre, que poderá ser cruzado com outros bancos de dados para montar um perfil completo. Para quê? Com o objetivo de aumentar a segurança no processo eleitoral. Pelo menos é o que eles dizem.

Para não fazer mais um post demasiadamente longo, vou colocar aqui um link para uma campanha de Internet que está sendo propagada, com o objetivo de utilizar o ordenamento jurídico brasileiro para impedir que o TSE de nos obrigar a registrar a biometria. Em poucas palavras, você não deveria se recadastrar pelos seguintes motivos:

  1. A biometria não aumenta a segurança, pelo contrário. Você guardaria uma lista de senhas junto com os cartões de crédito? Pois bem: a urna grava a biometria e a lista de votos.
  2. A tecnologia proposta pelo TSE é fechada e terrivelmente ineficiente;
  3. O planejamento de implantação proposto é inadequado e confuso;
  4. Recolher os dados biométricos dos eleitores é contra a lei;
  5. Os dados da urna serão compartilhados com a Polícia Federal. Já há acordo pra isso;
  6. Como comprovado pelo escândalo do PRISM, você já está sendo monitorado. Adicionar a biometria é associar o seu eu virtual a você mesmo, na sua vida. Mais do que a Matrix;

Todos esses motivos e muitos outros estão expostos no brilhante texto do Professor Pedro Rezende.

O que estamos propondo então é um Movimento de Obediência Civil. O que isso significa? Mesmo o TSE sendo juiz e executor, vamos forçá-lo a cumprir a lei enviando uma petição para o juiz eleitoral informando que a biometria é errada, ilegal e nós não vamos fazer. Para isso, basta protocolar uma pedição cujo modelo já está proposto no site questionando o juiz eleitoral sobre a legalidade da biometria.

O que seria cômico se não fosse trágico é que estamos brigando pelo nosso direito de exercer a democracia num país onde somos tão pouco incentivados a fazê-lo, processo esse que é controlado por um órgão que de democrático não tem nada. Não existe nada no ordenamento jurídico nacional que se assemelhe a tal absurdo quanto ao totalitarismo do TSE, mas aprendemos esse mês que se formos pra rua nos manifestarmos as coisas podem realmente mudar. Chegamos ao momento de agir contra a ditadura das eleições.

Acesse o site da campanha e participe: http://www.brunazo.eng.br/voto-e/textos/recadastramento.htm

Eu já fiz a minha petição e vou protocolar. E você?

Biometria não!

A vida sob um novo PRISMa

Gostaria de lhe fazer uma pergunta: você tem smartphone, ou pelo menos um telefone com GPS? Já acessou o facebook pelo aplicativo nativo do seu telefone? Reparou que o símbolo do GPS às vezes acende mesmo que não esteja usando o aplicativo? Sim, quando o facebook faz a sincronia de seus contatos ele vai naturalmente pegar a sua localização, ainda que você não tenha explicitamente autorizado que a coleta seja realizada. Agora olhe para a sua timeline e veja que tudo o que você posta vem com a informação do local daquela publicação junto. Sim, ele está te rastreando o tempo inteiro, quer você queira, quer não.

Sempre me chamaram de maluco e paranóico, principalmente porque venho dizendo há muitos anos que somos monitorados o tempo todo na Internet. Veja um post que publiquei em 2009 sobre o “maravilhoso” Google Wave. Na época minha preocupação estava em ter computadores começando a entender o que estamos falando e armazenar essas informações. Veio então a explicação que dei sobre quem manda na Internet e, na sequência, a revelação por trás do que estava sendo feito no Skype. Ainda assim, muita gente não me levava a sério.

Aí vem um cara na TV e revela que tudo o que eu estava dizendo há muito tempo era verdade. Você ainda me acha paranóico? Assista esse vídeo:

http://globotv.globo.com/rede-globo/fantastico/t/edicoes/v/documentos-comprovam-que-os-eua-espionou-telefonemas-e-e-mails-de-brasileiros/2678091/

MILHÕES de brasileiros tiveram seus telefonemas ouvidos e seus e-mails lidos. Sim, sabe aquela mensagem “quente” que você trocou com sua mulher? É bem possível que alguém tenha lido. Na verdade, é bem provável que alguém tenha lido. Sabe qual foi a resposta oficial do Governo americano? Fiquem tranquilos, pois nós monitoramos mais os estrangeiros, principalmente os brasileiros. Entendeu agora?

Pois bem, é preciso aprendermos a viver sob um novo PRISMa, escrito de propósito assim mesmo. Vou publicar uma série de artigos explicando como tentar fugir do problema, mas antes dê uma lida nesse artigo aqui do Anahuac: será que você realmente precisa dessas redes sociais “devassas”? Tenha em mente a seguinte sensação: antes de começar a escrever qualquer coisa em qualquer rede social americana, alguém mais vai olhar aquilo. Preste atenção nos dados que troca por e-mail, pois aquelas mensagens estão sendo abertas sem seu conhecimento.

Finalmente, cuidado aonde vai pela Internet: sempre, mas SEMPRE MESMO tem alguém olhando nas suas costas enquanto está no computador.

A Revolução que chegou sem avisar

Saímos do facebook

Ainda não estou conseguindo escrever de maneira calma sobre tudo o que tem acontecido, principalmente porque estou realmente muito emocionado. Muitas vezes vendo os vídeos do povo se manifestando, cantando o hino nacional à capela no estádio, enfim, vendo a revolução acontecendo eu realmente fui às lágrimas. É um momento de muita emoção, e eu mesmo que sempre critiquei duramente a postura de nosso povo NUNCA MAIS duvidarei da capacidade de mobilização popular.

Sempre preguei o ativismo em complementação ao ciberativismo, pois toda a reclamação que presencio nas redes sociais raramente se tornava algo concreto. Era o momento em que precisávamos deixar de “xingar muito no twitter” e agir de fato para mudar alguma coisa. Pois bem, eis que o dia chegou, e pode ser representado através de uma imagem postada pelo Marquitos:

Saímos do facebook

E realmente o povo saiu do nicho de Internet e resolveu se comportar nas ruas da mesma maneira que se comporta nas redes. Qual foi o resultado? Total desconhecimento das autoridades do país sobre o que estava acontecendo. Claro que foram surpreendidos: a maior parte deles é matuto digital, ou seja, não sabe nem quer saber como funcionam as novas ferramentas de comunicação baseadas na Internet. A maior prova disso foi ver pessoas do meu círculo de amizades que sempre me acharam um chato por falar de política irem para as manifestações pelo simples fato de que era importante marcar presença. São pessoas que são ótimas de reclamar na Internet, mas nunca imaginei que pudessem sair à ação.

Esse fenômeno “reverberou” de uma maneira que eu nunca imaginei entre os “formadores de opinião” da rede. Todos aqueles que sempre foram engraçaralhos e por essa razão nunca contaram com minha audiência, quando sentiram que se tratava de algo maior, adotaram o tom de seriedade que o assunto merecia e apoiaram a manifestação de uma maneira que eu não esperava. Não vou citar todos porque seria impossível, mas não dá pra negar que Rafinha Bastos, Cauê Moura e Jovem Nerd, além de muitos outros, tiveram uma postura irrepreensível, surpreendente até. Destaco Cauê e Rafinha, por atingirem um público que não seria atingido de outra forma, aumentando ainda mais a importância do movimento.

O resultado é esse que podemos ver aqui: http://g1.globo.com/brasil/noticia/2013/06/mais-de-100-cidades-se-preparam-para-manifestacoes-nesta-quarta.html

Para hoje teremos manifestações em mais de 100 (ISSO MESMO: CEM) cidades. Confesso que não imaginei que ia viver para ver isso, e estou tão emocionado que não consigo mais escrever. Só estou triste porque agora virei um burocrata de merda, e infelizmente não poderei comparecer. Contudo, como o Marco Gomes me ensinou nessas manifestações, qualquer atitude isolada vale a pena. Assim, cumprirei minha parte compartilhando vídeos, imagens e textos sobre tudo o que está acontecendo. Se não puder comparecer, faça como eu e ajude do seu computador.

A coisa toda é tão revolucionária que, para finalizar, vou fazer algo que nunca imaginei que fosse fazer na vida: recomendar um vídeo do Felipe Neto.

É isso aí Felipe! Assino embaixo de TUDO, ABSOLUTAMENTE TUDO o que você falou.

#VemPraRua

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