Fórum TIC NoSQL – Dataprev

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By Eduardo Santos

O LightBase é um banco de dados documental, multidimensional, multimídia, com pesquisa textual completa, que reúne, de forma única, um ambiente de desenvolvimento rápido de aplicações e um poderoso servidor… Mais

Leia o conteúdo original: http://www.eduardosan.com/2014/09/15/forum-tic-nosql-dataprev/

Fórum TIC NoSQL – Dataprev

By Eduardo Santos

O LightBase é um banco de dados documental, multidimensional, multimídia, com pesquisa textual completa, que reúne, de forma única, um ambiente de desenvolvimento rápido de aplicações e um poderoso servidor… Mais

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Como perdemos a guerra do Marco Civil

Foto sobre o Marco Civil

Independente do resultado da provável votação de hoje, infelizmente nós já perdemos a Guerra do Marco Civil. Muitos devem estar se questionando as razões, dada a crescente manifestação de pessoas importantes sobre o tema. Vou responder com uma foto e um link:

Banner da série House of Cards
Série House of Cards

Leia isso antes de continuar: http://calangos.net/balburdia-pop/2014/03/07/house-cards-uma-serie-politicamente-e-deliciosamente-incorreta/

Para quem não conhece o banner acima é da espetacular, sensacional, inteligente e revolucionária séria do Netflix chamada House of Cards, que conta a história da ascensão política (pelo menos até agora) do Presidente da Câmara dos Deputados americana. Frank Underwood, personagem principal da série, é uma pessoa sem escrúpulos e com muito conhecimento do jogo político. Resultado: sem nenhum voto conseguiu escalar sua carreira política dentro do governo. Não vou contar mais para não dar spoilers.

Muito bem, e o que essa série tem a ver com o Marco Civil? Dê uma lida nessa discussão de um dos grupos que realmente faz a diferença no Brasil. Talvez os únicos que sejam capazes de transformar com maestria o ciberativismo em ativismo.

https://groups.google.com/forum/#!topic/thackday/QPTwyDCzqk8

Vou puxar uma fala do Pedro Markun nesse mesmo tópico:

Já fizemos concessões demais e agora, imo, é melhor nenhum projeto do que esse.

Muitas vezes o cidadão comum acha que não entende como funciona o processo político e se esconde atrás da bandeira do “eu não gosto de política” para fingir que isso não tem a ver com ele. Vou tentar ilustrar com um exemplo: você tem vizinho? Já deu uma festa na sua casa que ultrapassou o volume máximo e incomodou o vizinho? Ele bateu à sua porta? Como foi? Vocês negociaram? Parabéns, isso é política. Todas as vezes em que duas pessoas tentam discutir sobre um interesse comum estão estabelecendo um processo político, que no fundo será baseado em negociação entre as partes com o objetivo de atingir o melhor pra todo o mundo. E isso é o que defendemos como democracia.

No caso da votação do Marco Civil o que não faltou para quem está conectado na rede foi informação. Uma rápida busca no Google vai retornar dezenas de blogs (inclusive esse) explicando porque o Marco Civil era importante, e como o processo de construção foi democrático, e como preservava nossas liberdades, etc. Não dá nem pra dizer que não teve ativismo, pois não faltou mobilização popular e virtual manifestando apoio ao texto original. Então, se tudo isso aconteceu de bom, onde foi que perdemos? Eu respondo: perdemos para o sistema político.

Mais uma vez trazendo a série House of Cards, alguns (talvez todos) vão se lembrar da enigmática figura de Remy Danton, cuja profissão é quase um palavrão no Brasil: lobista, e dos bons como mostra a série. Agora que entendemos o processo político, precisamos saber diferenciá-lo do sistema político, que em um sistema democrático tem como objetivo teórico respeitar as minorias e fazer valer a opinião da maioria. Para explicar vou trazer um exemplo que todos entendem: o futebol.

No dia de ontem ocorreu a eleição na Federação de Futebol do Rio de Janeiro onde Flamengo, Vasco e Fluminense se posicionaram contra a reeleição do atual presidente. Pergunto a você: existe futebol no Rio sem esses três clubes? Pois bem, logo em seguida os outros, considerados “pequenos”, se posicionaram contra o manifesto dos três grandes. A reeleição aconteceu pelo sistema político montado para respeitar a democracia na FERJ. Em teoria, todos os clubes filiados têm direito a voto, mesmo aqueles que só têm um time de futsal e contratam um árbitro da federação para apitar as peladas dos sócios com físico similares ao meu. É justo que todos os votos tenham o mesmo peso? É evidente que não. Então existe um sistema para garantir que o voto dos clubes mais importantes tenham mais peso: os quatro grandes cada um tem seis votos, os pequenos da primeira divisão têm quatro cada um e vai caindo até chegar em clubes amadores, que só têm um voto. O colégio eleitoral chega a mais de trezentos votos, então você já deve ter percebido que somente os quatro grandes não têm nenhum poder de escolha no presidente da federação. Esse é o sistema político que faz valer a democracia no futebol do Rio de Janeiro.

No Brasil, como já dizia o sábio Capitão Nascimento, “o sistema só trabalha para manter o próprio sistema”. Assim, poucas coisas são mais complexas do que o sistema democrático composto por Câmara e Senado, com o Executivo para bagunçar o meio de campo. Ele é tão complexo que as figuras que têm domínio sobre suas nuances podem obter grande vantagem, e aí foi onde perdemos o jogo para as teles. Trazendo novamente a série House of Cards, Frank Underwood e Remy Danton conhecem perfeitamente o sistema político americano, que devo dizer não é tão diferente do brasileiro como muitos gostariam de acreditar. Com isso, ambos conseguem fazer valer seus interesses quase sempre, da mesma forma que as empresas de telecomunicação.

O grande vencedor do processo legislativo foi o lobista contratado pelas teles. Ele conseguiu convencer os deputados, até mesmo Alessandro Molón, sobre quem eu tinha muita esperança, de que remover a neutralidade da rede é apenas dar liberdade ao usuário para escolher seus planos de telefonia. Afinal, se ele paga hoje R$ 39,90 para acessar o que quiser, ele pode pagar um pouco a mais para ter prioridade no Netflix por exemplo, certo? Esse discurso jamais se sustentaria em uma discussão séria, mas o lobista inteligente sabe que não precisa convencer toda a população, somente as pessoas certas. É claro que um pouco de dinheiro pra campanha em ano de eleição torna o argumento ainda mais fácil.

Nós perdemos a disputa pelo mesmo motivo que o Software Livre vai lentamente sumindo de cena: falta de organização política. A classe mais organizada politicamente no Brasil é a dos trabalhadores, e não à toa os sindicatos possuem tanta força. Mas quem é que defende a neutralidade da rede? Qual organização? Quanto ela investe em dinheiro nisso? Infelizmente, quase toda disputa na democracia capitalista se resolve com dinheiro, gostemos ou não disso.

Para finalizar, deixo aqui algumas frases do nosso amigo Frank Underwood que esclarecem como ele controla o sistema político. Atenção à parte onde ele diz para o mendigo na rua: “ninguém liga pra você”. Nessa discussão, somos nada mais que mendigos na rua fazendo greve de fome na porta do Congresso exigindo a neutralidade da rede.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=PnlafTs7nos]

A compra dos caças e o desenvolvimento da tecnologia nacional

Foto do Grippen NG

Antes de começar a expor minhas opiniões a respeito da compra dos caças suecos, conhecido como Projeto FX-2, gostaria de convidar a todos para voltar à década de 50. O país: Estados Unidos da América. O contexto: final da segunda guerra mundial.

O ensino de ciência nas escolas

Quando visualizaram o espólio do que haviam conquistado na Alemanha, os países aliados perceberam o óbvio: estavam muito atrás tecnologicamente daquele país. Apesar de ter conseguido produzir a bomba atômica no Projeto Manhattan, que foi feito basicamente por judeus, os governantes perceberam que precisavam formar seus próprios cientistas.

No início da década de 50 do século passado, nos EUA, os integrantes do N.S.F. (National Science Foundation) começaram a perceber que o ensino de ciências aos jovens americanos mostrava-se deficitário: os estudantes terminavam sua formação inicial com pouco, ou quase nenhum, conhecimento específico em matemática, física, química e biologia.

Foi daí que surgiu o PSSC, ou Physical Science Study Commitee, que tinha um único objetivo: incentivar o ensino de Física, Química, Matemática e Biologia nas escolas. O esforço do Projeto Manhattan já tinha representado um grande avanço na ciência, pois graças aos estudos derivados dali temos tecnologias como raios X, radares e até mesmo computadores (vejam vocês). Mas eles entenderam que era preciso criar um fluxo de produção científica e inovação no país, que para dar certo deveria começar na educação básica.

Pois bem, o PSSC começou a trabalhar e em 1956 criou a NASA, agência espacial norte-americana, que apenas 13 anos depois conseguiria mandar o homem à lua. No meio do processo também criou e formou a mais eficiente estrutura educacional do mundo, que apesar de não ser considerada a melhor, sem dúvidas foi capaz de produzir a maior economia. Já as universidades, fonte de pesquisa e desenvolvimento principal, são disparadas as melhores do mundo. Tudo isso tinha como pano de fundo mandar uma espaçonave à lua.

Ensino de ciência no Brasil

Agora voltemos à terra de Cabral e à realidade de nossas escolas. Já disse antes que tive a experiência de estudar praticamente todos os anos da minha vida escolar em escolas públicas, onde aprendi muitas coisas importantes, mas tive uma grande deficiência em outras. Dentre as coisas que aprendi uma das primeiras foi que teria greve todos anos (sarcasmo), e dentre as que deixei de aprender a mais importante foi Física. Dos três anos do Segundo Grau, que hoje acredito se chamar Ensino Médio, tivev apenas 6 meses de Física somados os três anos. Não, não aprendi praticamente nada de Física na escola.

Qual foi o resultado disso? Considero-me sortudo porque meu pai pôde me pagar um bom cursinho com foco em exatas onde melhorei um pouco minhas deficiências e permitiu que eu passasse na primeira turma do PAS para Engenharia Elétrica na UnB. Me lembro que, dos 40 aprovados para o curso, apenas eu e mais 3 éramos provenientes de escolas públicas, o que já deveria ser um indicativo importante. Resultado de minha deficiência: 4 (sim, eu disse QUATRO) reprovações em Física 1 na universidade. Eu realmente não sabia nada de Física.

Com o passar do tempo e das complicações de minha vida acadêmica, que vou deixar de lado por não ser o foco desse texto, acabei estudando Física na Universidade, com foco em Licenciatura para ser professor. No final do curso existe uma disciplina que mostra como foi a evolução do ensino de Física no Brasil, e passamos a entender porque somos tão fracos no tema. De maneira resumida, os militares tentaram implantar um sistema parecido com o PSSC no final da década de 70 e começo da década de 80. Quem estudou em escola pública nessa época até hoje tem uma lembrança saudosa de como foi bom o seu período e de como o ensino era melhor do que nas escolas privadas. Mas aí veio a democratização e outro pensamento, que achava ser mais importante aprender ciências humanas que exatas, acabou sendo implantado nas escolas. O resultado é o que temos aí: uma escola que não faz direito nem uma coisa nem outra.

Sociedade e valorização da tecnologia

Não vou perder meu tempo aqui dizendo (de novo) como nossa sociedade não valoriza os professores pois isso é chover no molhado. Agora pense na imagem que você tem de um Físico: geralmente um maluco que não tem sequer uma profissão decente. Sim, porque ser Físico não é o mesmo que ser Engenheiro e não é considerado profissão, mesmo sabendo que um Engenheiro está para um Físico assim como um peão de obra está para um Engenheiro (sarcasmo).

Agora se ponha no lugar de um pesquisador de tecnologia no Brasil: após estudar a sua vida inteira, digamos uns 12 anos na educação básica, mais 3 anos no ensino médio, mais uns 10 entre graduação, mestrado e doutorado você está pronto intelectualmente para colocar em prática tudo o que aprendeu para fazer inovação. E o que você pode fazer em nossa sociedade? Virar professor universitário.

Sim, é extremamente frustrante ver que não é possível produzir nada (repito, NÃO DÁ PARA PRODUZIR NADA) no Brasil. Não existe investimento privado em Pesquisa e Desenvolvimento e ficam todos se matando pela verba de pesquisa do CNPQ. Ok, esse dinheiro não deveria nem vir do Governo, mas esse é assunto para outro texto. Não há dúvidas que os brasileiros têm uma excelente capacidade científica, mas o que fazem nossos melhores doutores? Vão trabalhar na indústria americana, onde realmente há dinheiro para pesquisa.

Indústria aeronáutica é a luz no fim do túnel

A exceção à regra já é conhecida: a indústria aeronáutica. A Embraer é uma das maiores do ramo em sua área, crescendo em um misto de investimento público e privado. Eles têm um privilégio que nós, da indústria de software, adoraríamos ter: podem vender sem restrições para o Governo Brasileiro. A fórmula para o sucesso está formada: administração privada, investimento público, desenvolvimento de tecnologia no país, parceria com universidade e institutos de pesquisa.

Uma pergunta que você talvez consiga responder rápido: qual é a melhor Universidade do Brasil? De cada 10 respostas, pelo menos 9 citarão ITA e Unicamp. Sabe qual o foco delas? Isso mesmo: produzir engenheiros para alimentar a indústria aeronáutica. E aí não estamos falando somente de engenheiros aeronáuticos, mas para produzir um avião são necessárias, DEZENAS, talve CENTENAS de indústrias que produzem componentes para as diversas etapas da cadeia de produção. Precisa de soldadores, mecânicos, até mesmo fabricante de pneus e estofados para colocar no avião.

Acaba produzindo ainda um efeito cascata de alimentar o sonho das crianças da região, que vão buscar uma formação melhor em Matemática e Física para serem engenheiros e poderem trabalhar na indústria aeronáutica. Pergunte a si mesmo: por que existem tantos filmes sobre o espaço? Qual é a profissão dos sonhos de quase todas as crianças americanas? Se você respondeu astronauta você está certo. Você acha que isso tudo é por acaso? O PSSC nos comprova que não.

Palmas para o Projeto FX-2

Não é à toa que o Projeto mais revolucionário em pesquisa em inovação dos últimos 50 anos talvez venha da mesma indústria. Veja aqui todo o histórico do processo de contratação, num execelente infográfico disponibilizado pelo Ministério da Defesa.

Infográfico do processo de contratação dos caças
Fonte: Ministério da Defesa

Veja o ano: 2001. Levou 12 anos para a conclusão de um processo licitatório no Brasil. E tem gente que ainda acha que esse processo é bom, mas tratemos do problema em outra oportunidade. E você deve estar se perguntando: por quê escolher os caças suecos? Veja a resposta no FAQ do Ministério da Defesa:

Pesaram também na escolha aspectos relativos à transferência de tecnologia e às contrapartidas comerciais (offsets) oferecidas pela proposta sueca. A propósito do assunto, eis o que dispõe a Estratégia Nacional de Defesa (END):

“Consideração que poderá ser decisiva é a necessidade de preferir a opção que minimize a dependência tecnológica ou política em relação a qualquer fornecedor que, por deter componentes do avião a comprar ou a modernizar, possa pretender, por conta dessa participação, inibir ou influir sobre iniciativas de defesa desencadeadas pelo Brasil.”

É preciso ficar atento às nuances aqui: transferência de tecnologia e contrapartidas comerciais. Já está claro o que a empresa sueca pretende: construir o novo caça junto com o Brasil. Vai inclusive construir uma fábrica aqui que produzirá 80% dos componentes, além de já ter se proposta a promover a evolução tecnológica dos sistemas internos do caça, que são considerados defasados em relação aos americanos. Não vou dizer todas as nuances porque são muitas, então acesse aqui o Portal Poder Aéreo e veja a melhor coletânea de textos sobre o processo licitatório da Internet.

Gostaria de finalizar o (longo de novo) texto com três observações. A primeira é uma referência à década de 80, encarnada no filme Top Gun. Deixemos de lado as observações sobre a homossexualidade dos atores e pense: quem não teve vontade de ser piloto vendo aquele filme? Imagina se não pudesse ser piloto no Brasil, como não se dedicaria mais aos estudos? Pessoalmente prefiro no filme a galera que fica no computador calculando as rotas do jato, mas esse tipo de profissional simplesmente inexiste no Brasil. Concluir um processo como esse é dar oportunidade à nova geração e ao fomento de toda uma indústria que poderá empregá-los depois.

A segunda diz respeito ao valor do processo e às reais necessidades do Brasil. Muitos argumentam que o Brasil tem necessidades maiores do que os caças, como escolas por exemplo. Aí eu pergunto para esses: que escola? Qual é a motivação que um jovem tem para estudar hoje em dia? Para trabalhar onde? Em que indústria? Jovens são movidos por sonhos, e precisamos fornecê-los a capacidade de sonhar. Se você acha que eles vão para a escola simplesmente porque eles têm que ir, desculpe mas essa geração não funciona mais assim. É preciso mostrar a eles o benefício do estudo, e se não se transformar em um meio para atingir o sonho, eles não vão estudar. Assim, comprar os caças é também investir na educação em alguns dos seus mais importantes aspectos.

Finalmente a última observação diz respeito ao modelo de compartilhamento. Sim, eu disse compartilhamento. O modelo proposto para os caças é aquele em que os países constróem em conjunto e também colhem os louros do sucesso em conjunto. Sabe quem tabém faz isso? O Software Livre. E aí eu me pergunto: por que o Software Livre não está na Estratégia Nacional de Defesa? Gostaria que algum militar me respondesse, porque eu não consigo entender.

Deixo aqui para você refletir a reportagem mais completa sobre a licitação, publicada pelo G1 com direito a infográficos e tudo o mais. Divirta-se:

Reportagem completa sobre a licitação FX-2 no Portal G1

URGENTE – Votação do Marco Civil da Internet

Votação do Marco Civil

Pessoal, hoje é um dos dias mais importantes da história digital de nosso país. Deve ser votado nas próximas horas o Marco Civil da Internet. O ambiente é favorável e conta com a adesão da maior parte dos deputados, mas sabemos como as forças do lobby trabalham silenciosamente, então precisamos nos mobilizar para não corrermos o risco de sermos surpreendidos.

Existe uma clara dualidade de forças nesse momento:

1 – Deputado Alessandro Molon e a “coalisão do bem”, que defendem a neutralidade da rede. Até Rede Globo e Editora Abril estão desse lado;

2 – Empresas de Telecom e o Presidente da Câmara Eduardo Cunha, contra a neutralidade da rede.

Precisamos defender a proposta de Alessandro Molon com todas as nossas forças, pois ela esteve muito próxima de ser rejeitada e ganhou nova vida com a questão da espionagem. O momento é histórico e não podemos perder nossa força de mobilização.

O Marco Civil

Para saber mais sobre o Marco Civil, acesse o site:

http://marcocivil.org.br/

Se quer ver o que escrevi sobre o tema, veja aqui:

http://calangos.net/tecnologia/tag/marco-civil/

Veja uma implicação prática da não aprovação do Marco Civil:

https://eduardosan.wordpress.com/2010/08/05/o-perigoso-loteamento-da-internet/

Como colaborar

O Marcelo Akira publicou aqui um exemplo de mensagem para enviarmos aos deputados em quem votamos. Vou reproduzir aqui e já estou enviando para os deputados em quem votei. Sugiro que façam o mesmo.

—-

Bom dia,

Sou <nome>, <profissão e atuação>, e gostaria de salientar a importância dos deputados de <seu estado> votarem a favor do Marco Civil da Internet amanhã, 12/11/13.

Por que o Marco Civil é importante?
– Neutralidade: garante que não haja discriminação do tipo de dados que o usuário trafega pela rede. Por exemplo, se a internet não for neutra, as empresas de telecomunicações podem cobrar mais caro pelo uso do Youtube ou Skype, por exemplo;
– Liberdade de expressão: garante que somente a justiça poderá remover conteúdos da Internet.
– Privacidade: garante que empresas que solicitam cadastro não repassem seus dados pessoais para terceiros;

Mais detalhes podem ser vistos aqui:
http://marcocivil.org.br/category/3-questoes-chave-do-marco-civil/

É um projeto de lei muito importante para o usuário de Internet. A posição de nossos deputados está sendo registrada neste site:

http://marcocivil.org.br/noticias/de-qual-lado-estao-os-deputados-democracia-x-corporacoes/

Considero o tema relevante e portanto, gostaria que nossos representantes de <seu estado> se posicionassem a respeito deste tema.

Deputados de Brasília

(Atualização 12/11/2013 às 11h26)

Se você não lembra em quem votou, segue lista de todos os deputados de Brasília com seus respectivos e-mails:

AUGUSTO CARVALHO
Partido/UF: SDD/DF – Gabinete: 941 – Anexo: IV – Fone: 3215-5941 – Fax: 3215-2941
dep.augustocarvalho@camara.leg.br

ERIKA KOKAY
Partido/UF: PT/DF – Gabinete: 203 – Anexo: IV – Fone: 3215-5203 – Fax: 3215-2203
dep.erikakokay@camara.leg.br

IZALCI
Partido/UF: PSDB/DF – Gabinete: 284 – Anexo: III – Fone: 3215-5284 – Fax: 3215-2284
dep.izalci@camara.leg.br

JAQUELINE RORIZ
Partido/UF: PMN/DF – Gabinete: 408 – Anexo: IV – Fone: 3215-5408 – Fax: 3215-2408
dep.jaquelineroriz@camara.leg.br

LUIZ PITIMAN
Partido/UF: PSDB/DF – Gabinete: 931 – Anexo: IV – Fone: 3215-5931 – Fax: 3215-2931
dep.luizpitiman@camara.leg.br

POLICARPO
Partido/UF: PT/DF – Gabinete: 352 – Anexo: IV – Fone: 3215-5352 – Fax: 3215-2352
dep.policarpo@camara.leg.br
http://www.deputadopolicarpo.com.br

REGUFFE
Partido/UF: PDT/DF – Gabinete: 372 – Anexo: III – Fone: 3215-5372 – Fax: 3215-2372
dep.reguffe@camara.leg.br

RONALDO FONSECA
Partido/UF: PROS/DF – Gabinete: 382 – Anexo: III – Fone: 3215-5382 – Fax: 3215-2382
dep.ronaldofonseca@camara.leg.br

Vida e morte do facebook

logo facebook com cadeado

Olá pessoal. Sacudindo a poeira para escrever um texto que estava rascunhado já havia algum tempo, mas nunca conseguia terminar. Aproveito o momento em que cheguei no limite com o facebook para explicar pra vocês um pouco do que está acontecendo.

Não há dúvidas de que o comportamento online no Brasil é dos mais intensos do mundo. O brasileiro em geral adora a Internet e bate recordes de tempo conectado, principalmente nas famosas redes sociais. Para o país das telenovelas, é ainda mais surpreendente perceber que já passamos mais tempo na Internet que na televisão. Os dados indicam que estamos cada vez mais tempo vendo uns aos outros, e como você já deve ter percebido por aí, algumas pessoas têm mais necessidades de ser vistas que outras, e acabam trocando sua privacidade por cinco minutos de fama.

Conheço muita gente que passa o dia tentando aumentar o número de seguidores no twitter e facebook, se perdendo em gráficos e análises de conteúdo e comportamento. Afinal, existem dois fenômenos que são muito naturais no mundo moderno:

  1. Com a implementação das ferramentas de monetização, todos (sim, eu disse TODOS) podem ganhar algum dinheiro com a Internet. Preste atenção na palavra algum.
  2. Quem não gostaria de ganhar dinheiro pra “ficar na Internet”? Afinal você já faz isso mesmo, não é verdade?

Aí entra o ponto em que todos desejam ser o próximo Jovem Nerd ou ainda mais ousado é desejar ser o Não Salvo, já que esse último não faz nada mesmo: fica apenas colocando conteúdo que enviam pra ele. Dá-lhe então blogues, facebook’s, twitter’s, até mesmo Spam pros amigos tá valendo com o objetivo de “ficar famoso” e passar a “viver de Internet”.

Obviamente a coisa não é tão simples assim e conheço pelo menos uma dezena de pessoas que sofrem com algumas frustrações por não serem capazes de atingir o tão sonhado número de seguidores/curtidores/leitores que os permitiria ficar “independente” pra sempre. A ferramenta ou estrada para o sucesso é a mesma: monetização.

Essa palavra que parece um pouco feia na verdade é muito simples: imagina que o um amigo está querendo vender um carro e te oferece pra andar com um cartaz grudado nas costas com o anúncio do carro e o telefone dele. Por que você faria isso? Dinheiro, claro! Ele te prometeu uma grana SE ele vender o carro QUANDO ele receber o dinheiro. Como estamos cada vez mais conectados e a Internet é muito dispersa, fica muito difícil para as empresas que precisam de publicidade atrair a sua atenção. Afinal, basta um clique, um Alt+Tab, qualquer coisa, e você não vê aquele anúncio. A saída que eles encontraram é chegar até você pelos seus amigos.

Agora vejamos como a coisa funciona na prática. Quero fazer uma página sobre, digamos, coisas de Brasília. Crio um tal de Portal dos Calangos e chamo meus amigos pra escrever coisas sobre Brasília, com o objetivo de atrair leitores daquela cidade. O Portal logo vira um sucesso e chegamos aos milhares, quiçá milhões de leitores, e passa a ter gente que não vive sem dar uma olhadinha no que estamos escrevendo todos os dias. O que acontece então? As empresas, que não conseguem mais te atingir porque você vê cada vez menos televisão e não tem carro pra ficar ouvindo rádio, decidem anunciar no Portal dos Calangos fazendo uma mega campanha.

Pois bem, nosso Portal é capaz de atingir, digamos, 10.000 pessoas. Ainda que pareça bastante, o nosso amigo Ibope diz que anunciar no Balanço Geral da Record atinge 300.000 pessoas. Sabendo disso eles podem cobrar pela publicidade um preço bem maior do que a gente, e enquanto cada dez segundos lá custa uns R$ 20.000,00 anunciar aqui não custaria nem R$ 200,00. Isso é claro considerando que tivéssemos a audiência de 10.000 pessoas. Em Português claro: trabalhamos o mês inteiro e ganhamos R$ 200,00 pra dividir entre sete colunistas. Paga as contas?

O nosso amigo facebook no entanto atingiu recentemente o total de 47 milhões de visitantes no Brasil, que passam horas e horas conectados e visualizando os anúncios que a plataforma oferece. Quanto eles podem cobrar por isso? É nesse momento que eu gostaria de lhe propor uma pergunta: qual o conteúdo que o facebook gera? Quem está ganhando dinheiro com o que você publica por lá? Ok, mas você pode achar que o conteúdo que você publica nem é tão interessante assim e que eles podem levar um dinheiro com suas fotos e vídeos, mas não é só você que publica por lá. Foi o que percebeu recentemente a Rede Globo de televisão.

Veja, ao colocar o conteúdo da sua empresa no facebook, está fornecendo subsídios para que ele lucre com o material que você produziu. A Globo percebeu o óbvio: trata-se de uma empresa de mídia também, em muitos aspectos concorrente, e mesmo que esteja divulgando seus programas através da rede está vendo uma grande quantidade de dinheiro se esvair pelos seus dedos e indo parar na mão do concorrente. Imagine a audiência de uma novela das 20h00 e o que isso não gera de dinheiro? Por que dividir isso com o titio Mark? Eu também não vejo sentido.

E aí entra o ponto que acredito ter sido a sentença de morte do facebook. Cada vez mais eles tentam selecionar o que passa na sua timeline, com a desculpa de que estão te oferecendo um conteúdo mais próximo do que você deseja. Ora, mas como ele vai saber o que eu desejo se ele não me deixa escolher? Por que eles estão fazendo isso? À medida que os acessos em sua plataforma crescem, as empresas se tornam mais e mais dependentes dele como plataforma de mídia. Aí eles criaram uma interface para te extorquir dinheiro perguntando se você não quer “Impulsionar a publicação”, ou seja, cobrando para mostrar aos usuários aquele conteúdo que eles pediram pra receber de você ao curtir sua página. Simplesmente ridículo.

O que o titio Mark ainda não entendeu é que não adianta jogar contra as pessoas que são responsáveis pelo seu sucesso. Quase todos os produtores de conteúdo relevante estão pulando fora do facebook, e poderia enumerar dezenas de razões, mas vou citar apenas algumas:

  • Tentativa de extorsão dos donos de página ao impedir que o conteúdo chegue diretamente pra quem curte a página;
  • Mudanças frequentes na política de privacidade vendendo suas informações de forma cada vez mais irrestrita;
  • Mudanças frequentes demais na interface.

Se você acha que não pode piorar, tente desenvolver um jogo ou integrar uma aplicação com eles. Não vou nem comentar, apenas deixar o link:

http://www.bogost.com/blog/oauth_of_fealty.shtml

O que eles me parecem não ser capazes de perceber é que a maior riqueza de uma rede social é o conteúdo inserido pelo usuário e o ecossistema de aplicativos ao seu redor. Ao ignorar esses fatores o facebook assina sua sentença de morte, sentado em cima de seu gigantismo, do ego de seu dono e da incapacidade de criar um modelo de negócios que seja menos nocivo ao usuário. Ou seja: a empresa já está falida.

Tchau facebook. Olá Diáspora!

diaspora

Já faz algum tempo que não escrevo e tenho pelo menos três posts pela metade falando do facebook, mas agora simplesmente não pude ficar calado. Eles decidiram atirar a merda na minha cara, e dessa vez eu vou cuspir de volta:

http://gizmodo.uol.com.br/facebook-remove-opcao-de-privacidade-e-agora-qualquer-um-pode-encontrar-seu-perfil/

Se você não entendeu, o que acho difícil já que está tudo muito bem explicado, eu te digo: o facebook não permite mais que você tenha um perfil privado. Isso mesmo: agora todas as pessoas poderão te achar, mesmo que você não queira. Antes havia uma opção de você impedir que seus dados fossem visualizados por outras pessoas sem que você autorizasse, e agora eles inverteram a coisa: se você não quiser que ninguém veja, vai ter que decidir na hora de publicar.

Você deve estar se perguntando o que há de tão ruim nisso, já que ninguém usava mesmo. Preste atenção nesse trecho destacado pelo Gizmodo:

A configuração também fez o recurso de busca do Facebook ficar incompleto algumas vezes.

O grande lance é o seguinte: para que a busca funcione como deveria, seria necessário ter acesso à todas as informações de todos os usuários, pois às vezes alguma informação que você precisa encontrar está em um perfil privado. Não encontrar o que se busca não é bom para a empresa. Afinal, para vender aos anunciantes que o serviço é bom eles precisam de mais informação. O princípio é o mesmo que escrevi aqui: a busca depende de haver informação pública disponível, e quando não há começa a ser incompleta.

É preciso também que você aprenda a enxergar os sinais, que já são claros desde quando o Ning passou a ser pago. Primeiro o facebook começou a controlar o que aparecia na sua timeline quando passou a exigir que você assinasse o feed das páginas, e começou a controlar o que aparecia no seu feed de notícias. Com isso eles estavam querendo realmente o que parece: controlar o que aparece na sua página. Em teoria, por conhecer o que você gosta ele promete te apresentar o que é de seu interesse. Aí eu te pergunto: no período das manifestações quantas notícias sobre o tema apareceram na sua timeline? Você acha que foi por acaso? Agora veja a estratégia que a NSA usou para tentar desarticular a Deep Web e a rede TOR. No Brasil os donos das páginas do Anonymous foram presos e notificado pelo governo. Coincidência?

Agora a coisa chegou ao fundo do poço: eles acham que eu ter alguma privacidade, ainda que ilusória pois eles sabem tudo o que estou fazendo, acaba prejudicando os negócios. Uma rede neural com base em informações depende de elas estarem disponíveis, motivo pelo qual eles estão mudando as políticas de acesso. Aí você deve estar pensando: o que eu faço então? Com a palavra, o amigo Anahuac:

http://www.anahuac.biz/?p=319

As redes federadas livres são nossa única opção, pois são fisicamente distribuídas, baseadas em Software Livre e não tem como nenhum país assumir o seu controle. Os dados são protegidos por pessoas de diferentes partes do mundo, e somente o fato de alguém tentar roubar alguma informação é tão complexo que acaba não valendo a pena. Vou deixar a explicação para outro dia, mas estou dando um basta para o Markinho. Tchau facebook! Seja bem-vinda Diáspora:

https://joindiaspora.com/

Se quiser me encontrar por lá vai ser fácil: eduardosan@joindiaspora.com

Sim, somos espionados. Por que a surpresa?

Espião

Confesso que estou dando risadas com a repercussão da reportagem do Fantástico. Se você ainda não leu, dê uma olhada aqui:

http://g1.globo.com/politica/noticia/2013/09/documentos-da-nsa-apontam-dilma-rousseff-como-alvo-de-espionagem.html

Já faz muitos anos que defendemos a utilização de Software Livre não apenas por ser de graça, mas por ser estratégico para a soberania nacional. No jogo político internacional somos reféns das empresas americanas, que obviamente seguem as normas do governo de lá, e por isso somos espionados. Já relatei para algumas pessoas próximas um caso de espionagem internacional que presenciei. Sabe o que fizeram? Deram risada. “Lá vem aquele maluco chato de novo.”

A primeira pessoa a levar a questão a sério foi o antigo Secretário da SLTI, Rogério Santanna, que caiu porque bateu de frente com as teles. Não quis ceder às exigências deles, que envolviam desde a proibição da utilização de ativos de rede americanos (comprovadamente e oficialmente grampeados) até a discussão sobre o fluxo dos dados no Brasil, que já comentei inúmeras vezes. A sensação que todos temos é de que a Dilma nunca deu muita bola para essa questão de Software Livre.

Pois bem, a quem interessar possa: o notebook dela é Windows. Veja o que aconteceu no Google porque seus diretores usavam Windows: foram atacados e invadidos, única vez que isso aconteceu até hoje. O celular dela provavelmente usa Android, que pertence ao Google. Será que ela lê e-mails no celular? Provavelmente sim, e a NSA também.

Só existe uma saída: radicalização das políticas públicas de soberania nacional. Posso resumir em pequenos pontos:

  1. Proibir a utilização de ativos de rede fabricados nos Estados Unidos em todas as redes do Governo;
  2. Aprovação imediata do Marco Civil da Internet;
  3. Retomada da infra-estrutura de comunicação primárias, ou grandes backbones, que estão na mão do mexicano Carlos Slim;
  4. Chamar o Rogério Santanna de volta para a Telebras IMEDIATAMENTE;
  5. Proibir a utilização de software proprietário pertencente a empresas americanas no Governo;
  6. Exigir que as empresas estrangeiras mantenham no Brasil os dados dos brasileiros.

Radical demais? Sim. Provavelmente nenhuma dessas medidas será adotada, mas é o que deveria ser feito. Contudo, nem mesmo se eu fosse presidente acho que seria capaz de adotar todas essas medidas.

(Nenh) Um Computador por Aluno

Usando o OLPC

O programa Um Computador por Aluno, para quem não sabe, foi um dos projetos mais comentados no final do ano de 2010, pois havia o lançamento de um produto que prometia ser revolucionário: o OLPC. A ideia era simples: fornecer um computador que custasse no máximo US$ 100,00 e que pudesse ser utilizado por países em desenvolvimento para ajudar na alfabetização de crianças pobres.

Vi os primeiros protótipos e fiquei realmente impressionado: muito mais do que tratar-se de um computador barato, a proposta do OLPC ia muito além. Cheguei a segurar em minhas mãos um protótipo que era carregado por corda, ou seja, você ficava “dando corda” nele até carregar completamente. Além disso, praticamente inventou as redes Mesh, onde um computador poderia servir de ponto para outro conectar-se à Internet.

Não vale nem a pena citar as revoluções tecnológicas implementadas pelo Projeto, porque elas foram incontáveis. Eu ouso dizer que os ditos laptops, ou computadores móveis, nunca evoluíram tanto. Dê uma olhada no site do Projeto e tire suas próprias conclusões.

Eu fiquei muito empolgado com essa novidade que foi desenhada para agir em países muito pobres, com pouquíssimos recursos disponíveis, ainda piores  que o Brasil. O próximo a se empolgar foi o Presidente Lula, que criou o Projeto Um Computador por Aluno que tinha um único objetivo: trazer  os OLPC’s de Nicholas Negroponte para o Brasil.

Pois bem, tudo lindo, tudo desenhado, ainda existia uma barreira que ninguém dava importância, mas se revelou intransponível: as licitações brasileiras. Saiu a licitação para comprar os notebooks, ela foi cancelada e outra saiu no seu lugar.  Uma empresa indiana ganhou e entrou na Justiça contra o Governo, deu um rolo danado e chegamos no ponto em que estamos hoje: o projeto existe em outra formação e as escolas não estão usando os computadores.

Por que as escolas não estão usando? Um motivo simples: na licitação ganhou uma empresa que preenchia os requisitos técnicos solicitados, mas havia outros que não estavam no edital. Era preciso que a escola tivesse Wi-fi para os computadores se conectarem à Internet e precisava de energia para ligar os notebooks, coisas que a escola não tem capacidade de oferecer.

Aí você deve estar pensando: como assim não tem isso? É o básico. Sim, mas o projeto OLPC já foi pensado para funcionar na ausência dessas estruturas. Tanto que era carregado por corda e inventou as redes Mesh.  Aí você pensa: por que essas exigências não estavam na licitação final? Eu respondo: medo.

Se o gestor público colocasse essa exigência na licitação todas as empresas entrariam na justiça imediatamente alegando que o fornecedor OLPC estava em vantagem, o que seria enquadrado como falta de concorrência. No princípio da “economicidade” você não pode e não deve nunca comprar algo que só tem origem em um único fornecedor, sob pena de estar favorecendo aquela empresa. Nesse modelo, é quase impossível ao gestor contratar tecnologia de ponta.

Aí eu pegunto a vocês: vale a pena? Não tenho dúvidas de que a compra dos notebooks obedeceu à legislação, mas é impossível dizer que o resultado foi satisfatório. Temos um contingente ENORME de computadores do programa UCA que depende de boa conexão à Internet e uma tomada para recarregar. Em quantas escolas isso é a realidade? A compra mais barata trouxe algum benefício para o país?

Se não fizermos algo para mudar o modelo de contratação do Governo brasileiro, o país vai se tornar inviável em pouco tempo. Continuo defendendo a EXTINÇÃO dos Tribunais de Contas em todos os níveis e a transparência nas compras públicas. Dados abertos, em minha opinião, são muito mais relevantes que a burocracia.

Usando o OLPC

P.S.: Essa imagem poderia ser no Brasil, mas por causa do modelo de contratação não é.

Eles estão atrás de você

Foto do Tio Sam

É isso aí pessoal, o Tio Sam está atrás de nós. De mim, de você de todo o mundo. Vou colocar o link aqui para quem entender de inglês:

http://www.twitlonger.com/show/n_1rlo0uu

A maior parte das pessoas vai ficar perdida com a notícia solta, então vou ter que “desenhar” como diria o outro. Já há algum tempo que venho falando sobre a onda de protestos que aconteceu no mundo, começando com o Egito e descambando no Brasil. Sabemos também a importância que a Internet teve nisso tudo, como as lideranças são dispersas, etc. Dê uma olhada no histórico por aqui e leia sobre o assunto.

Pois bem, pensando como um líder de Estado que conhece as ferramentas de manutenção do poder, o que você pensaria? Enforcar um líder em praça pública? Bom, a história já mostrou que isso não deu certo, inclusive no Brasil. Qual a outra estratégia então? Esvaziar os líderes e convencer a população de que uma medida mais enérgica é necessária, porque afinal de contas é preciso garantir a segurança do povo. Agora dê uma lida aqui:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/08/deputado-diz-que-ameaca-de-ataque-da-al-qaeda-e-a-mais-grave-em-anos-1.html

Os Estados Unidos e sua Guerra ao Terror justificaram um monte de atrocidades nos últimos anos, incluindo a invasão de um país estrangeiro para executar e matar alguém que não foi sequer acusado. Ou ainda iniciar uma guerra sob o pretexto de armas que nunca foram encontradas. Agora os próximos alvos parecem estar definidos: os ativistas de Internet que impedem que o monitoramento da humanidade aconteça.

Os protestos ao redor do mundo possuem duas características em comum: a presença de jovens com máscaras do V de Vingança, que depois teriam se “organizado” sob o movimento Anonymous, e a extrapolação do simples ato de protestar em manifestações de violência que seriam injustificadas. Algumas pessoas, para o choque da imprensa e desespero da polícia, simplesmente decidem baixar o pau e quebrar tudo. Agora já se sabe que na maior parte dos casos a quebradeira é organizado pelo movimento Black Bloc, que como está escrito no próprio manifesto do grupo:

Os Black Bloc NÃO SÃO MANIFESTANTES!!! Eles não estão lá para PROTESTAR!!! Eles estão lá para tomar uma ação direta contra as máquinas de opressão!

A estratégia de combate então está traçada: vamos obrigar todos a cadastrarem a biometria com o pretexto da segurança na votação para podermos identificar os perfis violentos que vemos nas redes sociais quando acontecer uma situação limite de confronto. Contudo, no meio da caminho há uma pedra, há uma pedra no meio do caminho: a Internet possui outra camada, até então inacessível às autoridades que já controlam todos os outros meios de comunicação. Alguns chamam de Deep Web, outros chamam apenas de navegação anônima.

A estratégia é bem simples: você se conecta da sua casa até um servidor qualquer em algum lugar do mundo. Esse servidor redireciona suas conexões para outro, que manda para outro, que manda para outro, e por aí vai. Detalhe: em todos os pontos a informação é criptografada. Assim as principais ferramentas de monitoramento baseadas no endereço IP de origem e a interceptação dos pacotes de dados fica praticamente impossível.

Tais ferramentas estão se tornando cada vez mais simples de usar, saindo apenas do escopo dos que têm muito conhecimento em informática e se popularizando entre os usuários comuns, principalmente depois do escândalo do PRISM. Se todo o mundo usasse o TOR e saísse do facebook, todo o aparato de monitoramento montado pelo governo americano seria inutilizado, e isso é claro que eles não podem permitir. Aí vem a primeira notícia do post: estão tentando desarticular a rede de voluntários que forma a Deep Web. A receita é conhecida: prendemos o cara sem nenhuma acusação por tempo o suficiente para apagar os servidores e destruir a tecnologia. Depois podemos soltá-lo sem maiores problemas.

Nos últimos dias você deve ter lido uma notícia sobre o combate à pedofilia na Internet e aprisão de muitas pessoas ligadas ao tema, pelo menos em teoria. O fato é que um dos mais importantes servidores de distribuição da rede TOR foi desligado com a prisão do seu líder, sob a acusação de pedofilia. E não foi só ele. A rede sofreu um golpe pesado com a prisão de outras pessoas. Aí você poderia estar pensando: “ah o meu TOR vai parar de funcionar”, certo? Errado: a galera encontrou um MEGA exploit inserido dentro da rede que começava a enviar informações dos usuários direto para o FBI. Veja: http://postimg.org/image/ltj1j1j6v/

Coincidência? Bom, o fato é que o FBI montou um site de pedofilia por um tempo e após a prisão do cara tirou do ar.

Me parece claro que a guerra agora se torna aberta. O próximo passo provavelmente será ir atrás dos tais “baderneiros” para prender em flagrante, mas eles só vão conseguir cumprir o objetivo se a rede TOR for desligada.  Existe uma clara estratégia de monitoramento e repressão da população em andamento, que não é igual à que presenciamos na ditadura militar, mas é semelhante. A pergunta que fica é: o Governo tem o direito de monitorar todo o mundo para encontrar alguns suspeitos considerados violentos? Se alguém mandar você abrir a sua casa porque acha que você tem drogas lá dentro você deve abrir? E por que abrir o seu computador?

De uma maneira bélica, a estratégia parece perfeita. Contudo, parece que os responsáveis pela repressão não leram o quadrinho de Alan Moore:

Idéias não são só carne e osso. Idéias são aprova de balas.

Não é possível prender e reprimir uma ideia. O povo está de olho e não tem volta.

Anonymous Brasil

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