E a fraude nas urnas era muito pior do que eu pensava
Sim meus amigos, a sensação agora agora é de choque. As minhas preocupações eram grandes, mas após eu ter escrito sobre o caso saiu o tão esperado depoimento do Professor Pedro Rezende, que esteve presente na apresentação e tem conhecimento suficiente do processo para entender as implicações técnicas. Leia e se prepare. As revelações são bombásticas:
Pelo depoimento do professor, ao contrário do que eu pensava, a fraude não se deu por falha na criptografia. É muito mais grave do que isso: aparentemente havia um backdoor na Intranet do TRE onde os criminosos possuíam acesso total aos sistemas internos. Após o envio do Boletim de Urna através de um pen drive ou cartão de memória, os votos eram contabilizados em um sistema interno. Os crackers acessavam o sistema interno que contabilizava os votos e alteravam o total de votos de determinado candidato em uma seção, tomando o cuidado de nunca ultrapassar o total de votos da seção para não levantar as suspeitas do TSE. Por isso e por outros motivos explicados pelo Professor Pedro Rezende, a fraude era praticamente indetectável.
Contudo, o que me deixa mais chocado não é simplesmente o fato de a fraude ter acontecido, e sim o esquema criminoso que havia por trás da fraude. Vou resumir alguns pontos do depoimento que me chamaram a atenção:
- O cracker fazia parte de um esquema de leilão de lotes de votos. Ele divulgava quantos votos estava vendendo e os candidatos compravam pelo maior valor;
- Havia toda uma organização criminosa que utilizava códigos e nomes de animais para se comunicar no processo de compra e venda de votos, algo muito similar ao esquema do jogo do bicho;
- Os votos eram alterados em tempo real, durante a totalização;
- A fraude era indetectável pelo principal procedimento de verificação de segurança do TSE;
- Já se sabia dessa possibilidade de fraude e o TSE já tinha sido avisado, mas ignora as críticas daqueles que considera “críticos demais” do modelo.
Para organizar uma fraude desse tamanho, com sistema de divulgação aos candidatos e leilões virtuais, essa fraude já tinha sido preparada há muito tempo. É normal encontrar falhas de segurança e explorá-las em tempo real, mas normalmente os vazamentos são detectados muito rápidos e se torna um jogo de gato e rato entre o profissional de segurança e o cracker. Contudo, o backdoor foi criado e mantido por tempo suficiente para a criação de um esquema criminoso que envolvia muitas pessoas.
O pior de tudo é: sabem o que vai acontecer? Nada! Se você entrar com o recurso na justiça pedindo pra anular o pleito por fraude, sabe quem vai julgar? O TSE. E por um acaso ele seria capaz de condenar a si mesmo?
Tirem suas próprias conclusões.
A partir desse momento, falar em seriedade na democracia brasileira pra mim é uma piada.
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