A Mulher-Maravilha perdeu a sua complexidade

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No Universo DC a Mulher-Maravilha é um dos personagens mais difíceis de entender. A mitologia em torno dela é muito fácil de cair no sexismo. Mulher-Maravilha não é simples como um garoto rico que testemunhou o assassinato de seus pais. Diana é uma princesa, filha da rainha das amazonas. Sua mãe a criou a partir de uma imagem de barro e cinco deusas do Olimpo deu vida a essa imagem e a presentearam com superpoderes.

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A atriz Lynda Carter interpretou a personagem na série de televisão exibida durante a década de 1970.

A Mulher-Maravilha funcionou bem na TV na década de 1970, interpretada por Lynda Carter. Em 2011 Adriane Palicki foi escolhida para ser a protagonista da nova série “Mulher Maravilha”, mas sua versão não vingou e obviamente foi comparada à de Lynda Carter, que habita até hoje o imaginário dos fãs. Os autores se esquecem de que amazonas são guerreiras, e que o foco não é o “paraíso feminino” onde a Mulher-Maravilha mora. É complicado explorar isso em filmes.

Recentemente também foi lançada uma excelente animação. Em um futuro sombrio, Aquaman e Mulher-Maravilha envolvem seus povos em uma guerra:

Mulher-Maravilha foi criada em 1942 por William Moulton Marston, psicólogo, teórico feminista e inventor do detector de mentiras. Teve uma relação poligâmica com duas mulheres, Elizabeth e Olive, que serviram para inspirar e influenciar a personagem. “A Mulher Maravilha possui uma gigantesca força física (comparável à do Super-Homem), fazendo com que ela consiga, com facilidade, erguer toneladas, mas com o charme de uma mulher”. Sim, feminista, ainda mais homem, é um saco desde aquela época.

Inspirado em suas duas mulheres, Marston desenvolveu a Mulher-Maravilha junto com Elizabeth. Para criar a Mulher-Maravilha, Marston foi inspirado também por Olive, uma mulher que viveu com ele em situação de poligamia. Para escrever as aventuras em quadrinhos da nova super-heroína, Marston usou o pseudônimo de Charles Moulton, combinando seu nome do meio com o nome do meio de Olive.

O laço mágico e inquebrável da Mulher-Maravilha que faz com que as pessoas tocadas digam a verdade é uma alusão ao polígrafo, criação de Marston e mais conhecido como detector de mentiras. Marston, com suas experiências, tentou criar uma personagem mais honesta e confiável do que os homens. Daí, segundo Marston, a Mulher-Maravilha seria a propaganda psicológica para o novo tipo de mulher que devia governar o mundo, a representante de um modelo particular do poder feminino. Claro, ele não conseguiu.

Marston era um fetichista e introduzia suas preferências nos quadrinhos. Havia alguns casos em que eram óbvio os símbolos fálicos usados:

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Os símbolos fálicos exigem um esforço do leitor, mas é óbvia a metáfora visual:

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Mais um exemplo das preferências fetichistas de Marston nos quadrinhos:

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Como esta:

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Era perfeitamente natural que a Mulher-Maravilha soubesse costurar, mostrando que Marston estava preso às convenções de seu tempo. Hoje em dia ninguém acha estranho o Peter Parker costurar seu próprio uniforme, mas nos anos 1940 o Homem-Aranha costuraria seu uniforme ou MANDARIA a Mary Jane costurar?

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A Mulher-Maravilha estava constantemente sendo amarrada ou amarrando alguém. Aliás… Alguém não, mulheres.

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Ultimamente não se ouve falar muito de Mulher-Maravilha. Explorar o fetiche, como nos anos 40 não seria aceitável. Os pais ficariam com medo de seus filhinhos desenvolverem gosto, por exemplo, pelo sadomasoquismo. De um ícone feminista que representava uma mulher em controle de sua sexualidade, a Mulher-Maravilha se transformou em uma gostosa, fantasiada e poderosa. Não é a toa que ninguém hoje em dia consegue fazer a personagem, a Mulher-Maravilha perdeu a sua complexidade.

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