Que tal nos colocar no lugar dos bolivianos?

kevin

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Hoje completa seis dias da morte no menino Kevin e que tal nos colocar momentaneamente no lugar dos bolivianos em geral? Porque nos últimos dias muito tem se falado do recurso do Curintias, prejuízo do Curintias, direito do torcedor que comprou ingresso, como se tudo isso fosse mais importante que a vida do garoto que morreu no primeiro jogo do time do coração que ele via em sua curta vida.

Em 2006 o Evo Morales nacionalizou o setor de petróleo e gás na Bolívia e a Petrobras já tinha uma grande estrutura montada para comprar o gás boliviano, virou uma grande confusão na época porque a estatal brasileira colocou muito dinheiro lá dentro e havia uma dependência do Brasil em relação ao gás boliviano. A Petrobras tem feito vários investimentos para depender menos do gás boliviano e tem conseguido isso. Mas na época uma das reações populares que se via pelo noticiário era que o povo boliviano se sentia roubado. O Brasil, o maior e mais rico país da América do Sul, não vai ser visto pelos bolivianos como uma nação vizinha, irmã e simpática.

Joga um time pequeno da Bolívia contra um dos times mais importantes do Brasil, no momento o mais importante porque foi campeão da Libertadores e campeão do mundo, e um torcedor desse time vai lá, solta um sinalizador naval e mata um jovem de 14 anos. E é bom frisar que a torcida do San Jose tinha sinalizador também, mas não desses que matam, que pode até oferecer algum risco, mas não tão grande quanto o que matou o jovem Kevin. Então vai a torcida do Curintias até lá, acidentalmente ou não, mata o menino e tudo bem? Agora apresenta um rapaz de 17 anos e querem que liberem os 12 torcedores que estão presos na Bolívia?

Essa história é muito mais complexa do que se imagina, temos que nos colocar no lugar dos bolivianos, não só da família, e ver o quanto se tem discutido coisas menores aqui no Brasil como, por exemplo, se o Curintias vai ter prejuízo com os ingressos vendidos. É de se lamentar o Curintias recorrendo. Porque o Curintias não recorre questionando a Conmebol, organizadora da Copa Libertadores da América, e também o San Jose, que é o dono do estádio e não soube organizar? Ao invés de assumir sua responsabilidade e chamar Conmebol e San Jose para assumirem a responsabilidade juntos, o que faz o Curintias? Tenta passar para o outro lado, o lado daqueles que estão ilesos, Conmebol e San Jose, que tem também, evidentemente, parcela de culpa na morte do menino, direta ou indiretamente.

É lamentável ver um time da grandeza do Curintias recorrendo, visando apenas o business, e deixando de lado o que realmente importa, a perda de uma vida.

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