Malévola – CONTANDO O MESMO CONTO DE NOVO, DE MODO NOVO

malevola

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Por Diego Costa

 

A história da Bela Adormecida já é de conhecimento geral: princesa é amaldiçoada no dia do seu batizado por uma bruxa má que diz que ela furará o dedo na roda de tear no dia do 16º aniversario e que dormirá eternamente ou até que receba um beijo de amor verdadeiro. Porém, como mostrar essa historia para um novo publico? Que tal mostrar que nem tudo é tão bom ou tão mau como aparenta. E foi com essas premissas que a Disney desenvolveu Malévola (Maleficent, 2014).

 

A nova versão, conta a historia da personagem Malévola, partindo desde sua infância no mundo das fadas quando interpretada pela graciosa Isobelle Molloy até se tornar adulta, quando entra em cena Angelina Jolie em todo o seu esplendor.A historia do longa não se limita a focar na maldição da Princesa Aurora, interpretada por Elle Fanning como na animação de 1959, mas é ampliada, contando fatos muito anteriores ao nascimento da princesa e da maldição que a leva ao sono eterno.

 

E é a criação da personagem Malévola que o filme me ganhou, porque diferente de qualquer conto de fadas, aqui o vilão não é mau por ser mau, mas teve uma motivação que a tornou assim. A construção da personagem me lembrou a historia de vários psicopatas famosos estudados pela psicologia em que o indivíduo é bom, porém, vários fatores de seu meio o levarão a se tornar ruim.Neste ponto, é clara a alegoria com a famosa citação de Jean Jacques Rousseau (1712-1778): “o homem nasce bom e a sociedade que o corrompe”.

 

A personagem passa por fases muito bem delineadas na historia, desde sua infância pura junto as criaturas magicas, à fomentação do rancor que leva a maldição e sua redenção. E o fato de ser Angelina Jolie interpretando contribui muito com o filme, pois além do visual estar igual a Malévola clássica, Jolie capturou de forma primorosa as expressões da personagem, dando veracidade a cada nuance, cada olhar. As demais interpretações do filme também não ficam por menos, principalmente quando entram em cena Sharlto Copley (Esquadrão Classe A) como Rei Stefan e as fadas Flittle, Knotgrass e Thistletwit, vividas por Lesley Manville (Cinzas), Imelda Staunton (Harry Potter e a Ordem da Fênix) e Juno Temple (Lovelace).

 

Sobre a historia, apesar de se tratar de um conto de fadas, o filme passa longe de ser infantil, visto que apresenta discussões puramente adultas, como preconceito com o desconhecido, egoísmo e ambição a qualquer preço. Em certos momentos, ate as cenas mais simples trazem em seu bojo fortes implicações filosóficas e politicas. Em contraponto, desde “As Cronicas de Nárnia”, a Disney vem mostrando que sabe fazer filmes com ótimas cenas de ação e Malévola definitivamente não fica de fora, sendo as cenas de batalha grandiosas e dignas de aplausos.

 

E mesmo o grande uso de CGI não tornou tais cenas maçantes, pois dão o toque mágico que o filme necessita. O mundo de Malévola é impressionante, pois mistura humanos, criaturas magicas e ambientes internos e externos de forma fluida, tanto que por vezes é possível confundir realidade com efeitos visuais.

 

Para finalizar, o longa apresenta um dos melhores e mais coerentes finais de um conto de fadas que eu já vi. Tem todos os elementos necessários a agradar, porém, não se fixa nos clichês e mostra que é possível uma nova visão para o estilo.

 

Malévola é uma historia original dentro de um conto antigo, e que mostra o porquê a Disney ainda ser a potencia cinematográfica que sempre foi, portanto, vale muito a pena não apenas ser assistido, mas apreciado cena a cena.

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