Crítica – Jogos Vorazes: Em Chamas: Vamos quebrar tudo!

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Faaaaaala Calangada,

O entretenimento serve para nos provocar sentimentos. Sentimentos de raiva, amor, medo, tensão entre outros. E quando este sentimento ultrapassa o período no qual você está imerso naquela obra? Quando a obra lhe faz pensar? E quando a obra lhe transfere um sentimento de se importar tanto com aqueles personagens que você quer saber o que aconteceu com eles? Isto é Em Chamas.

Sou um pouco suspeito para falar, pois, durante 2 meses deste ano estive imerso nesta obra de Suzanne Collins, que conta com 3 livros que deram origem ao filme. Mas o meu relato é referente a minha esposa. Quando a convidei para ver o filme, ela já tinha visto o primeiro e achou um filme ok. Ao começar o filme, a Senhora Bacelar demorou pouco tempo para se lembrar a respeito do primeiro filme. No meio do filme, já estava me perguntando desesperada a respeito de um dos personagens, sinal de que se importava com aquela situação. Ao acender das luzes, minha esposa estava atônita e muito brava comigo. Mas… então o filme é ruim? Não, muito pelo o contrário. Em Chamas é um filme de ligação para a história de Jogos Vorazes. Ou seja, o filme termina no ápice da história! E o restante? Apenas daqui a um ano, data de lançamento de Esperança. Porque estava brava? Porque ela vai ter que esperar este tempo, o que me fez lembrar do tempo que esperei para os filmes de Senhor dos Anéis, Matrix e a ansiosa espera por Vingadores. Após quase apanhar de minha esposa, respondi para ela: Isto é o Entretenimento.

Se você pensa que Jogos Vorazes é mais uma obra água com açúcar com Crepúsculo, pode começar revendo seus conceitos. Jogos Vorazes traz um ambiente Pós-Apocaliptico, onde o um Governo autoritário transformou os ricos em muito mais ricos e os humildes em servos. Os distritos de 1 a 12 existem para suprir os luxos do Capitol, sede do Governo de Panem. Ou seja, trabalhadores que dão muito duro, e ganham apenas o suficiente para sobreviver, enquanto no Capitol, as pessoas tomam drinks para vomitar e poder comer tudo de novo. Em tempos de “Rei do Camarote” acho que um filme que trata deste assunto vem bem a calhar.

A história da fita nos traz de volta ao Distrito Doze, onde Katniss (a fantástica Jennifer Lawrence, mostrando porque é uma ganhadora de Oscar), Peeta (Josh Hutcherson) se preparam para a Turnê dos Vitoriosos, após serem os ganhadores do 74º Jogos Vorazes. Sua turnê os levam a todos os 12 distritos de Panem. E nessa jornada, ele vêem de perto a situação de pobreza e miséria deste mundo. Neste Turnê, Katniss e Peeta, como o “casal mais querido de Panem” descobrem que os seus atos de desafiar o Capitol nos Jogos foi a fagulha necessária para focos de resistência contra o Governo. Com os distritos se rebelando e Katniss servindo de símbolo da rebelião popular como o tordo (pássaro que está estampado em seu broche dourado), o Presidente Snow (Donald Sutherland) juntamente com seu novo Gamemaker, Plutarch Heavensbee (O sempre brilhante Philip Seymour Hoffman) tramam um modo de eliminar Katniss sem perder o apoio popular do Capitol. O melhor modo? O 75º Jogos Vorazes, o Quarter Quell. Como definição do Capitol, todos os tributos para esta edição especial dos Jogos serão composto pelos seus últimos vencedores, o que obriga Katniss voltar a arena.

Poucos momentos no cinema me arrepiaram, como o discurso de Theoden para os cavaleiros de Rohan na Batalha de Pellenor (Um dia vermelho! Antes de o sol raiar! Cavalguem agora! Cavalguem agora! Cavalguem! Cavalguem para a ruína. E para o fim do mundo!) ou a junção dos Vingadores em tela com a música tema subindo (Olhos marejados nesta hora.). E para a minha grande surpresa, Em Chamas traz uma cena similar, onde temos um idoso com os 3 dedos levantados e assobiando. Deixando claro que a revolução está para começar.

A direção do filme fica por conta de Francis Lawrence, diretor de filmes como Eu Sou a Lenda e Constantine. O ritmo do filme é muito bom, e mesmo com a sua longa duração, você acaba não sentindo este fato. A interação dos personagens principais do filme com todos os demais (que são muitos) é muito boa, mostrando um pouco de cada história, o que dá um pacote completo. Destaque para a fotografia do filme em um momento específico do filme onde Peeta, segura um dos participantes do jogo e pede para ele olhar para o céu e deixar isto como ultima lembrança da vida. Uma linda cena, praticamente um quadro pintado na tela do cinema.

A nova trilogia: Jogos Vorazes, traz uma nova percepção a nova geração. Em vez de apenas falar de romances, ele fala do todo, e de forma brutal. Fala de política, de diferença de classes de injustiças governamentais e de como a nossa sociedade precisa de um símbolo de luta de tempos em tempos para transformar um sistema corrupto e apenas preocupado com os seus interesses. Mostra que o governante inteligente é aquele que tem medo da população. E que o povo inteligente é aquele que clama por ser respeitado e luta com todas as forças para mudar. Isto é Jogos Vorazes. Ele vem como uma ficção que consegue empolgar o telespectador a lutar contra o sistema. Gostaria que nosso Brasil tivesse mais símbolos de luta, uma Katniss. Infelizmente, acabamos encontrando mais símbolos da cretinice.

Minha nota para o filme? Contando com todo o sentimento que essa franquia me passou e toda a experiência que os livros me trouxeram, esta grande adaptação (em termos de adaptação batendo forte com Senhor dos Anéis) não poderia ser outra.

NOTA 10 Calangos

E que venha Esperança!

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Profile photo of Digão BacelarDesigner Gráfico, amante de games, cinema, livros e revistas em quadrinho. Procurando sempre diversão em todas as mídias. Calango de Brasília, apaixonado por essa linda cidade!

2 Responses to Crítica – Jogos Vorazes: Em Chamas: Vamos quebrar tudo!

  1. Lari 3 de dezembro de 2013 at 23:28 #

    Ficou show a sua crítica Digão, mandou bem!!! Eu assisti os dois filmes no mesmo dia…fiquei super empolgada, mas confesso que esperava um pouquinho mais do segundo…porém concordo com sua crítica, descreveu muito bem…

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